O REINO ANIMAL
7 volume

MAMFEROS
(7 Volume)

A classe dos Mamferos compreende todos os vertebrados que amamentam os filhos. E mesmo, se algumas espcies pem ovos - o ornitorrinco e o equidna - tambm estes
animais amamentam os filhos aps o nascimento. Todos os Mamferos so revestidos de plos. Os tatus, revestidos de placas sseas, e os pangolins, cobertos de escamas,
com delicada plumagem na superfcie inferior do corpo. Os Cetceos os Sirendeos e os grandes ungulados, como o rinoceronte e o hipoptamo, possuem certo nmero 
de plos enquanto jovens, embora nos Cetceos estejam reduzidos a algumas sedas localizadas no focinho e que desaparecem ulteriormente. Nesses grandes Ungulados, 
os prprios adultos conservam os plos da extremidade da cauda, alguns outros, mais curtos, espalhados na pele, e sedas em redor da boca.
Outro aspecto que, salvo raras excepes, caracteriza os Mamferos  a existncia de sete vrtebras cervicais. Constituem excepes a esta regra as preguias, que 
podem ter seis, oito ou nove vrtebras cervicais, e os Sirenianos, que tm seis.
Os caracteres mais importantes utilizados para classificao dos Mamferos, so: os dentes quanto a forma e seu nmero; os membros, tanto pela sua estrutura como 
pelo nmero e configurao dos dedos. Outros caracteres corporais so ainda utilizados: as propores relativas dos membros, o tipo da cauda (que pode ser rudimentar 
ou bem desenvolvida, servir para a natao ou para a preenso) e a natureza do revestimento piloso.
A classe dos Mamferos  dividida em duas subclasses: Prototrios e Trios ou Placentrios.


PROTOTRIOS


Compreende os Monotremes, ou Mamferos ovparos, e os Marsupiais, que possuem uma bolsa em que recolhem os filhos, designada bolsa marsupial.


Monotremes


Os Monotremes so Mamferos ovparos, primitivos por vrios aspectos e cujos caracteres anatmicos fazem lembrar os Rpteis, principalmente quanto  disposio de 
alguns ossos e  anatomia dos rgos reprodutores, em especial porque existe uma cloaca genito-urinria comum.
O ornitorrinco  representado por uma nica espcie (Ornithorrynchus paradoxus ou Platypus anatinus), mede um pouco mais de 30 centmetros e os seus caracteres mais 
notveis so um bico que lembra o do pato, patas largamente palmadas e pelagem muito densa, semelhante  da toupeira. Possui cinco dedos em cada p e o macho apresenta 
um esporo venenoso em cada uma das patas posteriores, admite-se que estes ltimos sejam um rgo de defesa, visto que o ornitorrinco  um animal inofensivo.
O ornitorrinco  aqutico; alimenta-se de caracis, de larvas de insectos, de vermes e de caranguejos. Cava abrigo, nas margens dos rios, contidos por longas galerias 
que conduzem aos abrigos e ao ninho propriamente ditos. No ninho, construdo por ervas e folhas secas, os ovos, um a trs, eclodem ao fim de cerca de 12 dias. Embora 
o ornitorrinco amamente os filhos, no possuem mamilos: um par de glndulas mamrias segrega o leite, que corre para a boca dos recm-nascidos atravs de uma espcie 
de pincel de plos.
O bico de pato  coberto por um revestimento crneo, que constitui um rgo tctil extremamente sensvel. O olfacto  fraco, como geralmente se verifica com os animais 
que procuram os seus alimentos no lodo. No existe pavilho auricular; o orifcio auditivo e o olho situa-se num sulco comum que pode encerrar-se quando o animal 
mergulha. Os dentes esto reduzidos a quatro pares de placas crneas com mltiplos tubrculos.
Os equidnas so animais terrestres, que se assemelham exteriormente mais a mamferos placentrios, como o ourio-cacheiro e o porco-espinho, do que ao ornitorrinco.
Na poca da reproduo, a pele que rodeia o conjunto das duas zonas mamrias desenvolve-se de maneira a construir uma bolsa de incubao que permite a recolha dos 
ovos. Esta bolsa, porm, no  idntica  dos Marsupiais.
Os equidnas repartem-se por dois gneros: Echidna e Prechidna [cujos sinnimos so, respectivamente:
a) Tachyglossus - com duas subespcies: T. aculeatus e T. setosus
b) Zaglossus - com uma s subespcie: Z. bruni.]

O 1/2porco-espinho-da-austrlia, T. aculeatus,  coberto essencialmente de espinhos, no existindo seno plos curtos pouco visveis, dissimulados entre aquele, 
ao passo que no equidna-de-sedas, T. setosusc e no Zaglossus bruni os espinhos so quase completamente cobertos por uma pelagem espessa, eriada de seda.
Outros caracteres notveis dos Equidnas so o focinho fino e alongado, em forma de bico - que, com a lngua comprida e a total ausncia de dentes, est ligado ao 
regime alimentar exclusivamente constitudo de formigas e de trmitas -, e as grandes unhas, sobretudo nos membros anteriores, que servem para procurar os insectos. 
Os equidnas no cavam galerias ou abrigos, excepto quando pretendem escapar aos inimigos. No constrem ninho, mas a fmea transporta o nico ovo numa bolsa localizada 
na regio mamria, que no existe no ornitorrinco.


Marsupiais


Os Marsupiais so mamferos que possuem uma bolsa marsupial; os jovens, se bem que dotados j de movimento, nascem num estado muito atrasado de desenvolvimento. 
Nos Monotremes h a presena da cloaca uro-genital e produz s uma gerao dentria, ainda que, pelo menos, um dente seja substitudo em cada maxila [Isto , h 
apenas uma dentio, a definitiva.]
A primeira da ordem dos Marsupiais, a dos Didelfdeos, inclui as sariguias ou opssuns da Amrica, tm focinho pontiagudo e uma longa cauda, em geral preensora, 
seu tamanho varia desde de uma ratazana ao do gato. A sariguia vulgar (Didelphys marsupalis)  uma espcie tpica da famlia. [Conhecida no Sul do Brasil por Gamb]. 
Dispem de uma bela pelagem de plos compridos, prateados, disseminados entre plos densos e curtos, um pouco mais plidos, tem sido impiedosamente perseguida.  
um animal omnvoro, que dorme de noite nas rvores que tem o costume de simular a morte quando se sente em perigo.
A sariguia  muito prolfica e consegue no apenas manter-se mas aumentar de ano para ano seu nmero. Os jovens - 6 a 15, por vezes mesmo mais - dirigem-se para 
a bolsa marsupial, onde cada um se fixa a um dos mamilos, mantendo-se a de 60 a 70 dias. O nmero de mamilos da bolsa marsupial no ultrapassa, em geral, os 13, 
os restantes que nasam no conseguem sobreviver. A fmea transporta os filhos sobre o dorso, quando estes abandonam a bolsa marsupial.
O nico marsupial aqutico que se conhece  o quironecte ou iapoque, ou water opossum (Chironectes minimus) [designado no Brasil por cuca-de-gua]. Os ps com palmaras 
facilitam-lhe o apanhar peixes e crustceos, de que se alimentam.
A famlia seguinte, dos Dasiurdeos, inclui os ratos marsupiais, gatos-indgenas, o demnio-da-tasmnia, o lodo-da-tasmnia, etc.
Todos so carnvoros ou insectvoros. Os mais numerosos so os Phascologale, do tamanho e aspecto de ratazanas, mas com a cauda tufosa. Os Dasyurus tm o focinho 
pontiagudo, a pelagem malhada, as patas curtas e cauda muito longa . So denominados por 1/2gatos-indgena, embora se parea com o gato, apenas no tamanho; assemelham-se 
mais a uma gineta. So carnvoros que caam em terra e nas rvores; podem tambm assaltar os galinheiros.
O demnio-da-tasmnia, Sarcophilus satanicus (S. harrrisi), tem aproximadamente o tamanho de um texugo; o corpo  espesso e as patas curtas. Efectivamente,  de 
fcil domesticao. O lobo-da-tasmnia, Thylacinus cynocephalus, do tamanho aproximadamente do lobo e tem o aspecto do co; os membros so longos e adaptados para 
a corrida.   o maior de todos os carnvoros conhecidos; reconhece-se pela presena de 16 a 18 listas transversais cor de chocolate.
 A famlia dos Mirmecobideos  representada pelo papa-formigas-listrado, Myrmecobius fasciatus, que tem o tamanho de um esquilo; possui focinho mvel e alongado, 
longa cauda e listas transversais muito ntidas sobre o corpo. O regime alimentar  constitudo unicamente por trmitas, medem aproximadamente 10 centmetros e os 
dentes degeraram. Praticamente indefeso, refugia-se nos troncos ocos de rvores para escapar aos seus inimigos.
O Notoryctes typholps, a toupeira marsupial, dos colonos, e o ur-quamata, dos indgenas (famlia dos Notorictdeos), constitui um surpreendente caso de paralelismo 
com as toupeiras placentrias do hemisfrio boreal, tanto pelos hbitos como pelo tamanho e aspecto. Difere das toupeiras verdadeiras no s pela presena de um 
escudo crneo no focinho, como pela estrutura dos dentes e anatomia interna. Pela presena da bolsa, revela-se um verdadeiro marsupial. A pelagem  sedosa, delicada, 
e a colorao vai do branco ao vermelho-dourado. Existe uma segunda espcie deste gnero (Notoryctes caurinus).
Os bandicoots (famlia dos Perameldeos), so grandes insectvoros (como o ourio-cacheiro) entre os mamferos placentrios. So terrestres e omnvoros, consistindo 
o seu regime alimentar em vegetais e insectos. Assemelham-se aos musaranhos, mas o seu tamanho est compreendido entre o do rato e do coelho. Possuem focinho pontiagudo, 
membros curtos, cauda pequena e numerosos dentes de pequenas dimenses, do tipo triturador. Os membros posteriores assemelham-se, na forma e na estrutura, aos dos 
cangurus. Dos quatro dedos (por vezes tambm vestgios de um quinto dedo, o primeiro), o segundo e o terceiro so pequenos, esto contidos numa pele comum e possuem 
unhas compridas, que serviriam, para 1/2pentear a pelagem; o quarto e o quinto so de grandes dimenses. Existem numerosas espcies do gnero Peramele, e outras, 
pertencentes ao gnero diferente (Macrotis). O mais belo mamfero da Austrlia  o chamado 1/2coelho designado tambm por bilbuy (Macrotis-lagostiso).   fossador 
e de hbitos nocturnos e vegetarianos. Tem pelagem delicada cinzento-azulada, ao contrrio dos outros bandicoots, que possuem plo spero e cauda peluda, branca 
e preta.
Os Coenolestes (famlia dos Cenolestdeos), animais pouco conhecidos. As suas dimenses so reduzidas; assemelham-se a um musaranho e possuem dentes em que se associam 
os caracteres dos Didelfdeos da Amrica e dos Falagerdeos da Austrlia. Antes de o animal [exemplo: Coenolestes obscurus] ter sido descoberto vivo, conhecia-se 
Cenolestdeos fsseis dos terrenos da Amrica do Sul compreendidos entre o Mioceno e Oligoceno. [Alm deste, conhecem-se outros gneros: Oroleste e Rhyncholeste.]
A famlia dos Falangerdeos, os opossuns-de-cauda-anelada (Pseudochirus), ou o opossum-vulpino, os cuscus, etc., possuem todos cauda preensora comprido. So arborcolas 
e bem adaptados para trepar, graas ao polegar oponvel dos membros posteriores. As espcies desta famlia tm dimenses que oscilam entre a de um rato e a de um 
gato domstico grande. So todos herbvoros, alimentando-se de folhas, excepto duas espcies, uma das quais come insectos e a outra, o rato-do-mel (Tarsipes spenserae), 
que tem um longo e estreito focinho e lngua comprida e extensvel, graas  qual se alimenta o nctar. O mais conhecido dos Falangerdeos  o opossum vulpino, Trichosurus 
vulpecula, que se alimenta principalmente de eucaliptos.   aproximadamente do tamanho de um gato e possui espessa pelagem lanosa, cuja cor varia do cinzento-prateado 
ao castanho-escuro e ao preto; a cauda  coberta de plos, salvo na face inferior, perto da extremidade. As orelhas so levantadas e bastante grandes.
O Dactylopsila palpator, de pelagem listrada, que tem o tamanho do esquilo, contrasta acentuadamente com os outros representantes da famlia. Tem o quarto dedo das 
patas anteriores muito delgado e comprido, o que lhe serve para retirar as larvas de insectos dos troncos apodrecidos. Por outro lado, os incisivos so muito alongados, 
tal como os dos redores, que lhe permite rer os troncos para chegar quelas larvas. Assim como o aye-ayei [Daubentomia madagascariensis].
A famlia dos Fascolarctdeos compreende somente uma espcie, o koala ou urso-da-Austrlia, que mede cerca de 50 centmetros.
Os vombates (famlia dos Vombatdeos, exemplo: Vombates ursinus), so grandes animais fossadores medindo at 90 centmetros, espessos, com membros e cauda curtos 
e dedos armados de unhas poderosas, que utilizam para cavar a terra. Alimentam-se principalmente de razes, que desenterram, de cascas de rvores e de cogumelos, 
vivendo  maneira dos coelhos em covas, de onde saem,  noite e no princpio da noite, para procurarem os alimentos. Em cada gestao nasce unicamente um filho.
Todas as famlias dos Marsupiais, se deslocam utilizando as quatro patas, enquanto que os cangurus (ltima famlia dessa ordem), tomam uma posio erecta. Nos cangurus, 
a bolsa marsupial abre-se para a frente, o que est manifestamente ligado  sua marcha bpede; nos outros marsupiais, ela abre-se para trs na parte posterior do 
animal. A famlia de Marsupiais mais conhecida  a dos Macropoddeos, que compreende os cangurus e os wallabies. A nica diferena entre os cangurus e o wallabies 
ou cangurus-ratos relaciona-se, em princpio, com o seu tamanho.
Os cangurus de maior tamanho medem aproximadamente 1,50 metros de altura e os mais pequenos, os cangurus-ratos, tm o tamanho de um coelho. Todos os Macropoddeos 
possuem membros posteriores compridos (e membros anteriores muito dbeis), admiravelmente adaptados para o salto. Os dedos das patas de trs so em nmero reduzido, 
pois o primeiro no existe; o segundo e o terceiro so pequenos, contidos numa membrana comum, e grandes o quarto e o quinto. A cauda, comprida e peluda, pode servir 
de suporte, quando apoiada sobre o solo. A pelagem , em geral, fulva ou castanha, sempre de tonalidade uniforme. O seu regime alimentar inclui ervas e folhas, e 
por vezes frutos. Como todos os herbvoros, so inofensivos; defendem-se agarrando o inimigo com as patas anteriores e cravando-lhe as unhas dos membros posteriores.

De tempos em tempos circulam rumores quanto  pretensa descoberta de smios nas selvas do Queenslndia e da Nova Guin: na realidade eles no tm, qualquer fundamento. 
Da fauna essencialmente marsupial da regio australiana, encontram-se efectivamente animais adaptados a todos os tipos de locomoo terrestre ou arborcola. Os pretensos 
smios, responsveis pelos rumores em questo, so, afinal, representantes bastantes curiosos da famlia dos Macropoddeos, de cores deslumbrantes e com focinho 
de babuno. Denominados 1/2cuscus, estes marsupiais de pelagem lanosa, belamente colorida, e de hbitos indolentes, so largamente difundidos na Queenslndia Setentrional 
e na Nova Guin.
Os cuscus, de corpo espesso e movimentos lentos, mordem, no como uma simples carcia ou por curiosidade - como um outro marsupial arborcola, o dendrolago de Matschie 
-, mas com finalidade de infligir uma lio. Se bem que tenha uma vida extremamente dura no seu habitat natural, os cuscus adaptam-se, em regra, bastante mal em 
cativeiro razo por que so geralmente mal conhecidos, mesmo dos prprios colonos australianos.
Existem pelo menos 16 espcies de cuscus, das quais uma nica se encontra na Austrlia, confinada ao Norte da Queenslndia, o cuscus-malhado da Nova Guin (Sphilocuscus 
maclatus), cujo macho pode medir mais de um metro incluindo a cauda, e ser do tamanho de um gato grande.
As orelhas deste animal so to pequenas que no ultrapassam a pelagem lanosa, extraordinariamente espessa, que a protege contra todas as intempries; este carcter 
d  cabea uma forma arredondada, a qual, com os olhos preminentes rodeados duma risca amarela e o nariz amarelo brilhante, o faz assemelhar, efectivamente, a 
um smio (sobretudo a um lmure) e lhe d um aspecto impressionante.
Outro carcter notvel, comum ao cuscus-malhado da Nova Guin e  espcie vizinha, da Queenslndia,  que, salvo na ilha Waigin, as fmeas no so malhadas, mas, 
sim, em geral, de cor cinzento escuro, com a parte inferior do corpo duma brancura ntida.  primeira vista, ser-se-ia levado a acreditar tratar-se duma espcie 
diferente. A bolsa marsupial  semelhante  do opossum-de-cauda-amarela, contendo quatro mamilos. Afirma-se que ser raro capturar-se ou abater-se uma fmea sem 
se encontrar pelo menos um filho na sua bolsa.
Em julho de 1930, apanhei um jovem macho de cuscus-malhado prximo de Port-Moresby. Tinha nesse momento, aproximadamente, o tamanho de um opossum-de-     -cauda-amarela 
e a pelagem, branco-creme, estava semeada uniformemente de malhas pretas de um centmetro de dimetro. Adaptou-se de forma notvel ao cativeiro e, em 1949, estava 
forte e de excelente sade. Permitiu-me fazer observaes interessantes sobre o seu desenvolvimento, j que, no momento de atingir os dois anos, no somente tinha 
atingido o tamanho de um Trichosurus caninus como o desenho e a colorao da pelagem haviam mudado, tornando-o irreconhecvel. As malhas pretas haviam desaparecido, 
substitudas por zonas cinzentas irregulares, localizadas no tronco e nas coxas, e os membros posteriores tornaram-se quase inteiramente cinzentos.
No constitui exagero a afirmao de que quem haja estabelecido contacto com um cuscus macho adulto no o esquecer mais durante toda a vida. Mesmo que este contacto 
seja de natureza cientfica, o cuscus encarrega-se de nos deixar uma recordao inolvidvel. Os nicos contactos que tive com os desagradveis mofentas americanos 
limitaram-se a indivduos 1/2desodorizados, mas aqueles que podem exalar o seu odor dificilmente igualaro o fedor penetrante, tenaz e indescritivelmente abjecto 
do cuscus.
No poro do navio Machui conservou o fedor dos cuscus durante longo perodo aps a viagem em que promovi o transporte de seis destes animais para Sidney! Dois fatos 
quase ficaram inutilizados aps terem estado em contacto com os cuscus, no decurso dessa viagem, e foi necessrio limp-los eficazmente duas vezes para que as pessoas 
deixassem de se afastar de mim furtivamente.
Apesar do seu odor, os indgenas apreciam a carne cuscus, cuja lentido de movimentos no constitui para eles motivo de complacncia: com a primitiva espontaneidade 
dos que no olham a susceptibilidades, eles quebram imediatamente as patas das suas vtimas, impedindo assim todas as possibilidades de fuga do animal e evitando 
a alterao da carne at que seja consumida.
Uma disputa entre dois cuscus ou entre um deles e qualquer outro animal constitui demonstrao magnfica do seu poder de vociferao, donde provm aquele nome 1/2cuhs, 
termo americano que significa 1/2invectivar.
A maior parte dos grandes opossuns australianos tem voz gutural, mais ou menos potente, mas o cuscus-malhado emite, se assim se pode dizer, uma espcie de latido 
de violncia espantosa. Com efeito, comea por ser um latido agudo, suficientemente assustador para fazer sobressaltar irreprimvelmente quem se encontre na sua 
presena; continua do mesmo modo durante, pelo menos, um minuto, prosseguindo sob a forma dum grunhido nasal cheio de maldade. A menor provocao desperta-lhe repetidos 
latidos, arremessos dos membros e mesmo graves mordeduras.
Como vivem somente na floresta densa, dissimulado entre a folhagem, o cuscus tem geralmente a pelagem gasta como a do koala. Alimentam-se,  noite, de frutos tropicais, 
como mangas, papaias e bagas, assim como de folhas, de insectos de grande tamanho e mesmo de aves e ovos.   particularmente apreciador de bananas e, em cativeiro, 
de ovos cozidos.
O cuscus tem um medo terrvel do seu principal inimigo, o pton: a nica vez que vi um cuscus-malhado em pnico e fora da sua indolncia natural foi numa ocasio 
em que um enorme pton ametista se deslocava lentamente sobre o teto do recinto em que este se encontrava, embora invisvel para o pequeno marsupial. Talvez o cuscus 
haja pressentido o seu inimigo natural pelo olfacto, mas o rudo do deslizar bem caracterstico e ininterrupto de rptil em movimento seria a razo principal do 
terror manifestado pelo animal.
 

T RIOS


So os mamferos com placenta, formao anatmica que liga o embrio  mae e atravs da qual no s se alimenta como tambm elimina os seus produtos de excreo 
[donde a designao de Placentrios].


Insectvoros


Os insectvoros compreendem um dos mais pequenos mamferos, Pachyura etrusca, que no ultrapassa 4 centmetros de comprimento. O musaranho-de-madagscar, Geogale 
aurita,  o mais pequeno - mede apenas 3,5 centmetros de comprimento. Esta ordem inclui apenas pequenos animais [musaranhos, toupeiras, ourio-cacheiro, etc.], 
de focinho pontiagudo, munido de numerosos dentes, minsculos e agudos, destinados a apanhar, a manter e a cortar os insectos. A sua pelagem  geralmente delicada, 
por vezes misturada com espinhos, assim como o corpo. Os dedos so todos armados de unhas, mas nenhum  oponvel aos outros. O crebro  liso, sem circunvolues; 
em regra, o osso jugal [ou malar] no existe e, salvo no gnero Potamogale, a clavcula no existe. Os Insectvoros aproximam-se dos Quirpteros e dos Lemuriano.
O almiqui, Solenodon paradoxus, da famlia dos Solenodontdeos, que mede cerca de 50 centmetros, incluindo a cauda, quase nua [20 centmetros]. Tem o focinho alongado, 
grandes orelhas e pelagem grosseira. Pouco se sabe a respeito dos seus hbitos.
Os tenrecos (Centetdeos), subdividem-se em dois grupos principais:
1) Tenrenco vulgar (Centetus ecaudatus) - mede 38 centmetros de comprimento,  desprovido de cauda, tem focinho alongado e pelagem grosseira. Os seus hbitos so 
idnticos aos do ourio, procurando insectos por entre as folhas cadas. os jovens so raiados longitudinalmente. Os tenrecos-ourios, como o Ericulus setosus, so 
mais pequenos do que o tenreco vulgar.
2) Oryzoryctes ou tenreco-dos-arrozais, animais escavadores., que so do tamanho de um rato e tm cauda curta; alimenta-se de cereais. O Microgale longicaudata  
de todos os mamferos aquele que tem a cauda proporcionalmente mais comprida: cerca de duas vezes e meio o comprimento da cabea e tronco reunidos. O musaranho aqutico 
(Limnogale) vive na gua e, como muitos outros mamferos nadadores, tem os dedos com palmuras e a cauda deprimida lateralmente.
O Potamogale velox, da subfamlia dos Potamogalinos (famlia dos Tenrecdeos),  mais especializado, do ponto de vista aqutico, do que todos os outros insectvoros. 
Assemelha-se a uma lontra, mas  mais pequeno e tem cauda deprimida lateralmente.
As toupeiras-douradas (famlia dos Crisoclordeos), levam vida completamente subterrnea. Tm unhas grandes para escavar a terra, os olhos pequenos e protegidos 
sob a pele, e orelhas minsculas. Exteriormente, as toupeiras-douradas so muito semelhantes s toupeiras verdadeiras, distinguindo-se por determinados caracteres 
anatmicos, mormente os do crnio. A pelagem  de cor clara com reflexos irisados. [Como por exemplo: Chrysochloris damarensis.]
Nem todos os ourios (Erinacedeos) so espinhosos. Algumas espcies assemelham-se a ratos de pelagem delicada e focinho comprido. Como espcie caracterstica com 
este aspecto refere-se o gimnuro, Echinosorex gymnurus. O ourio vulgar da Europa (Erinaceus europaeus), que  caracterstico da famlia, tem o hbito de se enrolar 
em forma de bola, para se defender. Tem costumes nocturnos e hiberna durante grande parte do Inverno;  omnvoros, alimenta-se de insectos e de lesmas, de frutos 
e outros elementos vegetais. Os trs a sete filhos de cada parto nascem num ninho de folhas, do fundo de fosso escavado, sob as razes de uma rvore.
Os musaranhos-saltadores ou musaranhos-de-tromba (Macrosceliddeos) possuem membros posteriores compridos e, tanto pelos hbitos como pelo aspecto, so comparveis 
aos ratos-das-areias (Gerbildeos). Nenhum deles  maior do que um rato do tamanho mdio. O focinho  mais alongado do que dos outros insectvoros, formando uma 
espcie de tromba; alguns tm quatro dedos e outros cinco, nos membros posteriores, os dentes molares so de formato diferente. A sua pelagem  fulva ou castanha, 
em regra de tom uniforme, se bem que certas espcies tenham manchas no dorso. Os olhos so grandes, o que no  normal nos insectveros. So de hbitos parcialmente 
diurnos e fazem seus ninhos em esconderijos subterrneos, cavados provavelmente por outros animais; geralmente frequentam regies rochosas, mas certas espcies vivem 
entre vegetao densa.
Os musaranhos propriamente ditos (Soricdeos), exteriormente so semelhantes e comparveis a pequenos ratos, de focinho pontiagudo, as patas curtas, cauda de comprimento 
moderado e pelagem espessa; os olhos e as orelhas, minsculas, esto dissimulados entre os plos. Distinguem-se dois grupos principais de musaranhos:
- Os de dentes vermelhos - com a ponta corada de vermelho. Exemplo: musaranhos comum (Sorex araneus), um pouco mais pequeno do que um rato; tem pelagem castanha 
e o hbito de procurar insectos entre os vegetais, tem durao muito curta da sua vida e uma taxa de reproduo elevada. Os musaranhos jovens atingem rapidamente 
o estado adulto e podem ter duas ou trs ninhadas, de cinco a dez filhos, numa s poca de reproduo. Sua longevidade  de 13 a 15 meses e a mortalidade  extraordinariamente 
elevada. [Em Portugal encontra-se o Crossidura russula, morganho ou rato-musgo].
- Os de dentes brancos - como exemplo temos o musaranho-almiscareiros, Suncus murinus, tem o tamanho de um rato pequeno e possui uma glndula produtora de almscar, 
capaz de emitir forte odor; vive nas habitaes, como os ratos e ratazanas.
Nos dois grupos de musaranhos propriamente ditos, encontram-se variadas espcies adaptadas  vida aqutica; tm todos a cauda carenada e os dedos munidos de uma 
franja de plos para poderem funcionar como remos.
O mais notvel de todos os musaranhos  o 1/2heri ou musaranho-couraado (Scutisorex congicus), tem o esqueleto extremamente robusto.
A famlia dos Talpdeos, compreende as toupeiras propriamente ditas, assim como as toupeiras-musaranhos e os ratos-almiscareiros. As toupeiras propriamente ditas 
so notavelmente adaptadas  vida subterrnea. Tm patas anteriores muito largas e armadas de unhas fortes; as posteriores so curtas e macias e transformadas numa 
espcie de p, muito eficaz. O corpo  em forma de tnel e o pescoo mal se distingue. A cabea  larga e achatada e a cauda muito curta. Os olhos e as orelhas so 
minsculos, escondidos debaixo da pelagem, que  curta, espessa e desprovida de qualquer ornamentao. A toupeira comum da Europa, Talpa europaea [representada em 
Portugal pela subespcie occidentalis e na Amrica do Norte pela Condylura cristata], alm de espcies de outros gneros (Scalopus, Scapanusc etc.).
As toupeiras-musaranhos assemelham-se principalmente a musaranhos. Os ratos-almiscareiros, ou toupeiras-de-gua, assemelham-se muito pouco s toupeiras propriamente 
ditas. Tm as patas com palmuras e fazem recordar musaranhos obesos. Distinguem-se dois gneros: Desmana, que tem a cauda deprimida lateralmente (exemplo: Desmana 
moschata); e Galemys, cuja cauda  arredondada. [Representada em Portugal pela subespcie Galemys pyrenaicus rufulus]. Em ambos, o focinho tem a forma de tromba, 
com cerca de um centmetro.
Os musaranhos e as toupeiras so notveis pelas actividades infatigveis, pelo focinho extremamente sensvel e o seu temperamento hipernervoso.


Dermpteros

Os representantes desta ordem, vulgarmente conhecidos por galeopteco, colugo e cagua.
Constituem um nico gnero (Cynocephalus), com uma s espcie, C. variegatus. De entre todos os mamferos,  nesta espcie que se verifica o maior desenvolvimento 
de uma membrana, que serve para execuo do voo planado, o patgio. Esta membrana inicia-se de um lado e de outro do mento, e estende-se aos membros anteriores, 
at incluir todos os dedos; prolonga-se depois de cada lado do corpo, abrangendo inteiramente os membros posteriores, terminando na extremidade da cauda.
O galepiteco vive nas florestas; a pelagem  pintalgada de cinzento, fulvo e negro, cores da casca das rvores. Tem a estrutura de um gato pequeno e alimenta-se 
exclusivamente de folhas. Salta, planando, de uma rvore para as outras.


Quirpteros


Os morcegos so os nicos mamferos adaptados ao voo verdadeiro, por oposio ao voo planado que utilizam os representantes de vrias ordens, munidos de um patgio. 
os morcegos caracterizam-se pelo alongamento extremo do antebrao e de quatro dos dedos, que formam a base sobre a qual a asa membrana se distende. O primeiro dedo 
da mo no  includo nunca nesta membrana e tem uma unha que  utilizada sobretudo para trepar. A asa membrosa estende-se ao longo dos flancos at aos membros posteriores 
e, na maior parte das espcies, contm igualmente a cauda. Os dedos dos membros posteriores so sempre livres e possuem unhas grandes, recurvadas, que servem principalmente 
para que o animal possa suspender-se em suportes diversos e tratar da sua higiene, mormente pentear a pelagem.
Os morcegos formam dois grupos naturais:
a) Megaquirpteros. - Compreende os morcegos grandes, alguns deles enormes, todos eles desprovidos de apndices nasais foliceos e possuidores de orelhas normais. 
O segundo dedo da asa apresenta, na maioria dos casos um pequena unha, que no se observa nunca nos Microquirpteros. Os dentes, em consequncia do regime alimentar 
frutvoro so em regra muito simples, mas certas espcies, que se alimentam de plen e nctar, tm-nos ainda mais simplificados. As raposas-voadoras, Pteropus, os 
maiores morcegos, atingindo alguns a envergadura de 1,50 metros. A cabea faz lembrar a da raposa, com focinho pontiagudo e grandes olhos, e o corpo , em geral, 
castanho-avermelhado ou amarelado, com asas negras Suspendem-se durante o dia, por colnias, nas grandes rvores, e, ao crepsculo, voam ento em direco s zonas 
onde encontram alimento, causando, por vezes, grandes desvastaes nas fruteiras. Como a maioria dos morcegos, tm somente um filho em cada gestao, que se fixa 
 pelagem da mae na parte anterior do corpo, at que possa abandon-la.
         Os morcegos que se alimentam de plen e nctar, ou macroglossos, so pequenos, tm focinho alongado, lngua comprida, extensvel, e dentes muito reduzidos. 
[Exemplo: Megaloglossus woremanni.]
 b) Microquirpteros. - So morcegos de pequenas dimenses, dos quais cada orelha compreende geralmente um prolongamento, o trago. O nariz apresenta, muito frequentemente 
pregas cutneas complicadas, chamadas 1/2apndices foliceos, que, como o trago, esto em correlao com um sentido, recentemente descoberto, de localizao pelo 
eco, que permite a estes animais evitar os obstculos com uma eficcia e apanhar os insectos mesmo nas noites mais escuras. O dedo indicador nunca tem unha e a cauda, 
em geral, fica includa na membrana caudal. Todos estes morcegos so praticamente nocturnos e alimentam-se de insectos durante o voo. Os dentes largos, e armados 
de numerosas cspides, esto excelentemente adaptados para colher e triturar os insectos de cutcula dura. Certos Microquirpteros alimentam-se, no entanto, de nctar 
e plen, possuindo neste caso o focinho alongado e a lngua extensvel, adaptvel a tal tipo alimentar. Uma outra espcie, o vampiro verdadeiro, (Desmodus rotundus), 
 especializado para poder alimentar-se de sangue.

Os Rhinopoma, possuem cauda fina e extremamente longa, ultrapassando em mais de metade a membrana caudal. Os morcegos ictifagos ou pescadores (Noctilio), tm membros, 
dedos e unhas muito compridos; voando rente  superfcie das guas costeiras, apanham pequenos peixes que nadam a pouca profundidade.
Os falsos-vampiros so morcegos de grandes orelhas e apndices foliceos compridos e pontiagudos. Alguns de entre eles alimentam-se de lagartos, ras e ratazanas. 
O seu tamanho, relativamente grande, e o aspecto repugnante.
Os morcegos mais conhecidos, com apndices foliceos so representados pelos dois gneros Rhinolophus (1/2grande ferradura) e Hipposideros (1/2pequena ferradura). 
Distinguem-se pela complexidade dos seus apndices nasais e pelas orelhas desprovidas de trago.
Os morcegos americanos com apndices foliceos, que se repartem por grande nmero de gneros e de espcies, formam um grupo distinto. Alguns deles so insectvoros, 
outros alimentam-se de frutos, outros ainda de nctar; finalmente, h alguns que tambm so carnvoros. Diferem uns dos outros tanto pela anatomia como pelos seus 
hbitos, mas a maioria possui dois caracteres comuns: um apndice foliceo simples e a cauda muito curta.
Os morcegos mais diferenciados so os verdadeiros vampiros, sugadores de sangue. [Desmodontdeos, principalmente Desmodus rotundus, no Brasil] nos quais a estrutura 
e a anatomia esto relacionadas com os seus curiosos hbitos alimentares. Os incisivos, fortemente desenvolvidos e pontiagudos, podem cortar a pele das vtimas, 
entre as quais se conta o Homem. O sangue que escorre dessas leses  em seguida lambido. Os molares so to reduzidos e os rgos digestivos so igualmente muito 
simples.
A grande famlia dos Vespertiondeos, que inclui a maior parte dos pequenos morcegos (exemplo: Histiotus velatus, do Brasil). So todos desprovidos de apndices 
foliceos, mas o trago  muito distinto no pavilho da orelha. Possuem todos igualmente uma cauda, abrangida pela membrana alar at  extremidade. Como representante 
caracterstico da famlia, citamos o pipistrelo comum (Pipistrelus pipistrelus) e o pequeno morcego castanho (Myotis lucifugus).
 
OS OLHOS DAS AVES E DOS MAMFEROS


Quando nos deslocamos atravs dos campos ou das florestas, muitos olhos, de que no nos apercebemos, no nos perdem de vista, observando os nossos discretos movimentos.
As aves e os esquilos, nas rvores, as ratazanas e os coelhos no sol, mantm-se imveis e dissimulados, enquanto a nossa presena ameaadora se mantiver no seu campo 
de viso. Muitos destes olhos, cuja estrutura  semelhante  dos nossos, representam reduzidas destes. Tm forma esfrica e cada um  munido, como um aparelho fotogrfico, 
de delicado sistema ptico [o cristalino.] Uma tris, funcionando como um diafragma, regula a quantidade de luz que entra no olho, e uma delgada camada de clulas 
fotossensveis [a retina]  impressionada logo que qualquer imagem se projecta sobre ela. Estes so os constituintes essenciais dos olhos das Aves e dos Mamferos, 
mas em cada tipo de serres vivos observam-se modificaes especiais, em relao a esta estrutura fundamental, que tornam os olhos particularmente bem adaptados ao 
seu modo de vida. Os indivduos activos durante o dia, beneficiando do sol, dormem durante a noite. Os seus olhos so adaptados para tirar partido da luminosidade 
diurna. Para colherem as mximas vantagens, estes animais so desprovidos de grande sensibilidade e no conseguem ver s escuras. Na sua maior parte, as aves so 
incapazes de voar sem tocar nos ramos das rvores quando a luz do dia j lhes no permite uma boa viso. No entanto, em boas condies de luminosidade, estes animais 
tm viso particularmente penetrante. Descobrir um minsculo verme quase imvel, para se apoderar dele, requer efectivamente uma vista notvel.
Pelo contrrio, os tmidos ratos passam os dias escondidos. Se so despertados, cerram imediatamente os olhos, perante a luz resplandecente. Tudo o que se mantm 
imvel ou  apenas agitado levemente escapa ao seu olhar. Os olhos das ratazanas so, na verdade, constitudos de maneira a funcionar de noite, aproveitando a fraca 
luminosidade do cu, altura em que estes redores podem afastar-se dos seus esconderijos sem temer os inimigos. O carcter penetrante da sua viso foi sacrificado 
em proveito de uma sensibilidade externa  mais fraca luminosidade, requerida para poderem ver na penumbra da noite. As indicaes visuais colhidas nestas condies 
tm maior importncia para o rato, somente activo durante a noite, do que uma grande clareza de viso. Efectivamente, os sons e os odores so bastante mais vagos 
do que a mais fraca visibilidade e o tacto d em geral o sinal de alarme demasiadamente tarde.
Olhos nocturnos e viso penetrante ou olhos nocturnos e viso sensvel, tal foi a alternativa perante a qual se encontraram, e que tiveram de solucionar, os antepassados 
de cada tipo de animal, j que somente a animais de grande corpulncia  permitido dispor de olhos suficientemente volumosos para poderem funcionar perfeitamente 
tanto de dia como de noite. O Homem conseguiu esse equilbrio  custa de um sistema duplo, resultante, em parte, do tipo de Aves e do tipo dos ratos. O tipo rato 
(viso nocturna)  vago; apercebe-se mais de formas gerais do que de pormenor e  destitudo da noo das cores. A presena de uma rvore  manifesta, mas os ramos 
pequenos no podem ser distinguidos. O gato e o mocho no vem na obscuridade muito melhor do que o Homem, ainda que consigam todas as noites capturar agilssimos 
ratos.
 O cavalo tem os maiores olhos de todos os animais terrestres, razo pela qual dispe de uma vista excelente. Os rgos visuais do gato so relativamente grandes. 
O seu dimetro no  inferior seno a um quinto em relao aos olhos humanos e tm aproximadamente metade do tamanho dos do cavalo. No entanto o gato  um animal 
adaptado para a vida nocturna. As suas pupilas em fendas permitem-lhe deliciar-se estendido preguiosamente ao sol; elas abrem-se, porm, inteiramente quando cai 
a noite. Uma pupila circular no seria efectivamente to eficaz, porque para manobrar a ris dispe de um msculo de fibras concntricas.
Os gatos, os ursos, os veados e certos mochos tm outra adaptao particular: uma substncia qumica que torna os olhos luminosos em semi-obscuridade. Estes olhos 
tm, atrs da retina, uma camada semelhante a um espelho, alm da habitual pelcula negra de pigmentos absorventes. A luz que no  captada, quando atravessa a retina, 
penetrando no olho,  reflectida de novo sobre a retina, o que d a luz uma segunda possibilidade de atingir as clulas visuais sensveis. A camada reflectora , 
portanto, um dispositivo destinado a tornar os olhos nocturnos e a reforar os contrastes que cria a obscura claridade que vem das estrelas. [No Homem, os elementos 
receptores da retina so de dois tipos: os cones, mais abundantes na rea macular, responsveis pela viso diurna (sentidos da forma e da cor) e os bastonetes, localizados 
principalmente nas zonas mais perifricas, responsveis pela viso nocturna. Assim, denas que afectam essencialmente a rea macular provocam uma grande diminuio 
de acuidade visual, mas permite ao dente orientar-se na obscuridade, enquanto determinadas denas com leses externas das zonas perifricas podem permitir uma 
acuidade visual normal, mas impossibilitam o dente de se orientar sozinho ao escurecer.]
As aves nocturnas que no possuem olhos sensveis como os mochos tm hbitos alimentares semelhantes aos dos animais nocturnos. Utilizam pouco os olhos, confiando 
mais numa espcie de 1/2dragagem s cegas para conseguirem os alimentos em quantidades suficientes. Os noitib, especialmente, voam ao crepsculo com o seu grande 
bico aberto de forma a capturarem os insectos que se encontram no seu caminho. Os ursos-formigueiros e os tatus recolhem de forma idntica as suas minsculas presas, 
isto , colhendo-as com a lngua sem nunca as verem. Quanto s ratazanas, elas manifestam preferncia pelos frutos em cacho e as espigas de trigo e de milho. Estes 
vegetais podem, com efeito, ser ingeridos sem o auxlio dos olhos e os frutos mltiplos devem produzir um odor bastante mais perceptvel do que os frutos isolados, 
o que vem demonstrar que h muitos meios, na verdade, de contrabalanar as carncias de uma viso medocre.


Xenartras


Estes animais diferem acentuadamente pela anatomia, aspecto exterior e hbitos; o nico carcter que possuem em comum  a ausncia de dentes anteriores (incisivos 
e caninos).
Os desdentados, como so chamados os Xenartras, que possuem uma articulao particular das vrtebras. Os pagolins formam uma ordem distinta, as dos Folidotas, e 
os oricteropos constituem a ordem dos Tubulidentados, com afinidades para o vasto dos Ungulados.
Os papa-formigas (Mirmecofagdeos), alimentam-se de insectos. Esto adaptados para capturar e comer alimentos moles e tm preferncia pelas trmitas e outros insectos 
de corpo mole. So completamente destitudos de dentes; o focinho, com a lngua muito comprida, donde a designao de vermilingues. O corpo  muito peludo; os membros 
anteriores tm o terceiro dedo bastante alongado e armado de enorme unha, que serve para desenterrar os insectos, enquanto os outros dedos so muito pequenos. Os 
dedos, quatro ou cinco, dos membros posteriores so normais.
O papa-formigas-de-bandeira, Myrmecophaco jubata (tamandu-bandeira),  o maior desta ordem: cabea e corpo reunidos atingem 1,20 metros, e a cauda mede aproximadamente 
o mesmo comprimento. Tem focinho desproporcionadamente comprido e afilado, olhos minsculos, orelhas curtas, corpo macio e cauda dotada de to abundante revestimento 
de plos, que podem cobrir todo o corpo. A cor geral  cinzento-ao; os plos so curtos na cabea e na parte anterior do corpo, tornando-se cada vez mais compridos 
 medida que se aproximam da enorme cauda em penacho. Uma risca negra muito ntida estende-se obliquamente desde o peito at  base da cauda, passando sobre as espduas, 
exemplo muito tpico de colorao disruptiva. Os membros anteriores so de tal modo aptos para escavar que no podem efectivamente servir para uma locomoo normal. 
Assim, o animal  obrigado a caminhar sobre o bordo das mos, com as unhas curvadas para dentro. So animais terrestres e inofensivos. No entanto, em casos de necessidade, 
podem defender-se com as unhas das patas anteriores.
O Tamandua tetradactyla [tamandu-mirim ou colete] difere essencialmente do tamandu-bandeira pelos seus hbitos arborcolas, se bem que o regime alimentar seja 
idntico ao deste ltimo. Tem aproximadamente metade do seu tamanho, o focinho menos alongado e a cauda, prensil, coberta de plos curtos. As unhas dos membros 
anteriores so tambm menos desenvolvidas. A sua colorao  principalmente amarelada, com uma espcie de colete muito escuro, varivel consoante os indivduos. 
O terceiro membro da famlia, o papa-formigas-ano [ou tamandu-i], Cyclopes. Sua pelagem  extremamente brilhante, de tonalidade fulva ou dourada. Sendo arborcola, 
tem a cauda prensil e os ps adaptados para trepar. Nas patas anteriores, h somente dois dedos funcionais, armados cada um de grande unha recurvada; as posteriores 
tm quatro dedos de comprimento semelhante, mas apresentam uma curiosa deleitao semelhante a um polegar que pode ser oposto aos dedos, o que constitui uma mo 
funcional, de tal forma que o animal pode suspender-se nos ramos das rvores pelos quatro membros.
Nas preguias (Bradipoddeos), a especializao externa das patas  mais acentuada ainda. As quatro patas tm unhas recurvadas em forma de gancho e os dedos so 
contidos numa membrana comum; o p e a mo assemelha-se a uma espcie de coto peludo, armado de ganchos. Estes animais vivem exclusivamente nas rvores, suspensos 
pelas quatro patas; deslocam-se muito lentamente e alimentam-se principalmente de folhas, durante a noite. Na gua, nadam praticamente com os membros anteriores 
uma espcie de overarm stroke.
As preguias distinguem-se dos papa-formigas pelos dentes molares em forma de estacas (os dentes incisivos no existem); a cabea  bastante mais curta e mais larga 
do que a da maioria dos mamferos; e so destitudas de cauda.
A pelagem, comprida, grosseira e frisada,  de tonalidade acinzentada ou castanha, mas que parece verde, no animal vivo, em consequncia das algas microscpicas 
que vivem nos sulcos dos plos.
A 1/2a (Bradypus tridactylus) possui trs unhas em forma de gancho nas patas anteriores e quatro nas posteriores, sendo caracterizada, alm disso, por uma mancha 
de plos curtos, negros e alaranjados, entre as espduas. Os dentes so de tamanho e de estrutura uniforme. Tm a presena de nove ou dez vrtebras cervicais em 
lugar de sete. A ubau, Cholepus didactylus, de maior estrutura e que dispe somente de duas unhas nas patas anteriores, tem os primeiros molares desenvolvidos de 
forma a assemelharem-se a caninos. Possui sete vrtebras ao passo que Ch. hoffmann tem apenas seis.
 Os tatus (Dasipoddeos) diferem consideravelmente das preguias pelo seu aspecto exterior e hbitos. Desprovidos de plos, so notveis pela armadura protectora, 
que cobre toda a superfcie superior do corpo, assim como o alto da cabea. Esta substncia crnea  sustentada por um forte esqueleto interno. Consiste num enorme 
escudo, cobrindo as espduas, o flanco e a parte anterior do corpo, e num outro semelhante cobrindo as regies posteriores do corpo. A face superior da cabea possui 
um escudo autnomo; a cauda  protegida por anis e a superfcie exterior dos membros por placas separadas. As zonas inferiores do corpo so cobertas por pele mole, 
revestida de plos esparsos. Estas regies, vulnerveis, so protegidas, na maior parte das espcies, por uma adaptao estreita do corpo ao solo, embora uma das 
espcies destes se enrole em bola, enquanto  atacada. Todos os tatus so terrestres, alguns deles tm hbitos escavadores - uma espcie vive mesmo quase como as 
toupeiras - e o seu regime alimentar consiste em insectos, frutos cados, razes, pequenos vertebrados e mesmo cadveres em decomposio.
O maior dos tatus atinge mais de 1,50 metros de comprimento, enquanto o mais pequeno no ultrapassa 15 centmetros. (Na lngua espanhola so conhecidos por armadillos.]
O tatupeba, Eupharactus sexcinctus,  bastante peludo, que possui seis faixas de escudos. Mede cerca de 45 centmetros de comprimento, tem a cauda curta, grossa, 
e orelhas pequenas. O tatu-peludo (E. vllosus), no qual a armadura  dissimulada por uma pelagem mais espessa do que na espcie precedente, desenvolvida entre as 
placas e os escudos. O tatu-gingante (Priodotes gigas), que mede at 90 centmetros, da ponta  base da cauda, atingindo esta ltima 50 centmetros de comprimento. 
Tem quase o dobro do nmero de dentes e possui de 12 a 13 faixas entre os escudos sobre o dorso, bem como uma unha muito forte no terceiro dedo das patas anteriores. 
O 1/2tatu-bola, Tolypeutes tricintus, se enrola em forma de bola para se defender. Tem somente trs bandas mveis e, quando se enrola, o escudo da cabea e a cauda 
protegem perfeitamente todas as regies vulnerveis do corpo. ao contrrio do que se verifica com a maioria dos tatus, no escava o solo e corre rapidamente na ponta 
das unhas. [Uma espcie semelhante  o T. matacus.] O tatuet, Dasypus novemcntus,  de tamanho mdio e tem uma longa cauda afilada. Tem duas glndulas mamrias 
no abdome, alm do par que se encontra habitualmente no peito dos outros tatus fmeas. Pode ter at 10 filhos, em cada gestao, em vez do nmero habitual de 1 a 
4. So todos do mesmo sexo, como gmeos verdadeiros [poliembrionia], originrios do mesmo vulo. [Graas  sua carne saborosa,  designado, no Brasil, pelo nome 
de 1/2tatu-galinha.]
O mais pequeno e talvez o mais interessante dos tatus  o pichiego menor, Chlamydophorus truncatus, no mede mais de 15 centmetros,  de forma cilndrica, como 
as toupeiras, e tem grandes unhas escavadoras nos membros anteriores. Distingue-se de todos os outros tatus pela armadura, que  formada por duas dezenas de placas, 
de substncia crnea rosada, dispostas transversalmente sobre o dorso e ligadas somente  coluna vertebral. A parte posterior do corpo  truncada em ngulos recto 
e recoberta por um slido escudo sseo, da base do qual emerge a curta cauda, alargada na extremidade como um remo. Os olhos e as orelhas so pequenos e dissimulados 
em parte pela pelagem branca e sedosa, que cobre inteiramente o corpo, incluindo as regies protegidas pelas placas crneas. Embora se conhea muito pouco dos seus 
hbitos, parece ser um animal escavador.


Folidotas


A famlia dos Folidotas  uma ordem distinta, representada pelos papa-formigas-de-escamas, cujos principais caracteres so os seguintes: tm a face superior do corpo 
recoberta por grandes placas crneas imbricadas, de arestas cortantes, e por vezes pontiagudas, com alguns raros plos entre elas implantados. Toda a superfcie 
inferior do corpo  revestido por uma pele mole, com alguns plos esparsos. Os pangolins so totalmente desprovidos de dentes, apresentando, por outro lado, o focinho 
estreito e a lngua protrctil. Os membros so curtos e providos de cinco dedos em cada p; o terceiro dedo das patas anteriores possui uma forte unha escavadora. 
O pavilho auricular  pequeno e, mesmo, por vezes ausente. Os mais corpulentos pangolins medem 1,50 metros de comprimento e os mais pequenos 90 centmetros, incluindo 
a cauda. Alguns de entre eles vivem no solo, outros nas rvores, mas todos se alimentam de trmitas e de formigas. Nas espcies arborcolas, a cauda, alm de ser 
prensil, exerce presso sobre os troncos das rvores, introduzindo na casca as suas escamas pontiagudas. Apertando ento o tronco com os membros posteriores, eles 
podem repousar com o corpo inclinado, de maneira a formar um ngulo com a rvore, suportando todo o seu peso com a cauda. Para se defenderem os pangolins podem enrolar-se 
 semelhana do tatu-bola e dos ourios, com a comprida cauda protegendo todo o corpo. Existem sete espcies de pangolins, seus movimentos so lentos, em consequncia 
da curteza das patas e das fortes unhas, que os obrigam a deslocar-se sobre o bordo do p. Nunca nascem mais de dois filhos em cada ninhada; so transportados na 
cauda da mae, que a mantm acima do solo.


Lagomorfos


Estes animais tm um par suplementar de incisivos vegetais. Constituem a ordem dos Lagomorfos, os mamferos terrestres e herbvoros de tamanho mdio, possuidores 
de dois pares de incisivos na maxilas superior (o segundo par  vestigial e situado imediatamente atrs dos incisivos funcionais) e um par na maxila inferior, existindo 
um largo diastema, entre os incisivos e os molares. Como nos Redores (Simplicidentados), os incisivos crescem continuamente durante a existncia do animal, mantendo 
as propores correspondente. O palato, pouco desenvolvido, e os lados do focinho so incompletamente ossificados [maxilares superiores muito densamente perfurados], 
aparecendo por zonas sob a forma de uma transa caracterizada de fibras sseas. Repartem-se por duas famlias:
a) Famlia dos ocotondeos (1/2lebres-gritadeiras), exemplo: os picas ou lagomis - assemelham-se muito aos cobaios, se bem que sejam mais pequenos. As orelhas so 
minsculas, falta-lhes a cauda e os quatro membros no diferem no comprimento. O corpo no ultrapassa os 18 centmetros. Vivem entre rochedos, alimentam-se de ervas, 
durante o dia. De noite mantm-se nos buracos das rochas. Afirma-se que estes animais so ventrloquos, dado que  difcil localizar-se o ponto de origem dos seus 
gritos.
 So de cor discreta, compreendida entre o cinzento-ardsio e o fulvo. Existe somente o gnero Ochotoma e a espcie mais conhecida  o pica das montanhas Rochosas, 
O. princeps. O pica do monte Everest, O. wollastoni, vive em maior altitude do que qualquer outro mamfero.
 b) Famlia dos Lepordeos, exemplo: os coelhos e lebres -so, em regra, maiores do que os Ocotondeos, possuem orelhas mais desenvolvidas, membros posteriores conformados 
para a corrida e cauda que, embora curta,,  bem visvel, por ser branca na face inferior.
As lebres propriamente ditas (Lepus), so excelentemente adaptadas para a corrida veloz em terrenos planos. Tm grandes orelhas, patas compridas e olhos preminentes. 
A colorao  castanha ou fulva nas regies superiores do corpo e brancas nas inferiores. Para se defenderem, as lebres confiam na sua velocidade e servem-se da 
vegetao. Os filhos nascem num estado bastante adiantado de desenvolvimento e so muito cedo capazes de se desembaraar sozinhos. A lebre da Europa, L. europaeus, 
 castanha-avermelhada, com orelhas negras nas extremidades. As lebres da Amrica conhecidas localmente pelo nome de jack rabbit (L. californicus), e outras espcies, 
so indubitavelmente as lebres mais bem adaptadas para a corrida.
A lebre-tmida ou lebre-varivel, L. timidus, e o snowshe rabbit, da Amrica, que lhe  aparentada, L. americanus, so mais pequenos, e dotadas de membros e cauda 
curtas. Distinguem-se das outras lebres porque perdem os plos castanhos no Inverno, sendo substitudos por plos brancos.
O snowshe rabbit deve a sua designao  presena de espessa formao pilosa que cobre a planta dos ps e lhe permite deslocar-se sobre a neve pulverulenta.
A lebre polar        (L. othus) que  de todas a maior: o comprimento ultrapassa 75 centmetros e o seu peso pode atingir 5 quilos. Alm de manterem parcialmente 
a pelagem branca mesmo no Vero, as lebres polares reconhecem-se pelas poderosas unhas e pelos dentes dirigidos para a frente, caracteres que permitem a estes animais 
escavar a neve endurecida, para atingirem a vegetao subjacente.
Entre os representantes mais especializados da famlia, citamos as lebres-vermelhas-das-rochas, Pronolagus, so notveis pela pelagem espessa e a cauda relativamente 
comprida e peluda. A lebre-do-nepal, Coprolagus hispidus, possui plo rude e curto, absolutamente nico na famlia, e a lebre-de-samatra, Nesolagus netscheri, extremamente 
rara, tem a pelagem maculada de castanho escuro, de negro, e de cinzento plido. O coelho-de-riou-kiou, Pentalagus furnessi, tem orelhas extremamente curtas, cauda 
pequena e pelagem lana, de cor uniforme spia-escura.
Os cottontais, ou coelhos-dos-pntanos (Sylvilagus), so os representantes mais comuns da famlia, so menores do que as lebres propriamente ditas, distinguindo-se 
tambm pelos membros posteriores, as orelhas e cauda mais curtos. Tm hbitos diferentes, preferindo ocultar-se no esconderijo mais prximo do que tentar afastar-se 
 custa da sua velocidade. O coelho selvagem da Europa, Oryctolagus cuniculus, no cave em esconderijos como estes ltimos, mas repousa nos matagais densos. A inexistncia 
de inimigos naturais o tornou num flagelo difcil de dominar. [Foram os portugueses que introduziram os coelhos a subespcie O. c. huxleyi, no sculo XV, nos Aores, 
Madeira e Porto Santo.] Os coelhos diferem nitidamente das lebres pelo hbito de escavar e por ser um animal gregrio, vivendo por vezes em numerosos grupos, que 
incluem centenas de indivduos. Os lparos, que nascem nos abrigos subterrneos (luras), em ninhadas de 4 a 8 (vrias vezes por ano!), so cegos e incapazes de se 
defender, atingindo porm a maturidade sexual cerca dos seis meses. Os seus inimigos naturais so numerosos e  perseguido por incessantes animais como: raposas, 
texugos, aves de rapina, caes, gatos, o Homem, etc. 
Todas as variedades de coelhos domsticos, mesmo a que  denominada lebre-belga, derivam do coelho selvagem.
Os mais minsculos representantes da famlia so duas espcies: o coelho-pigmeu de Idaho, Brachylagus idahensis, que no ultrapassa os 30 centmetros de comprimento 
e tem orelhas largas e curtas; e o coelho-pigmeu do Mxico, Romerolagus nelsoni, que  um pouco maior, em consequncia das reduzidas dimenses das orelhas e da ausncia 
de cauda, assemelha-se mais a um pica ou a um arganaz-gigante.

A PROPSITO DOS HBITOS INSLITOS DO CoeLHO

Podem citar-se numerosssimos animais que so notavelmente especializados para um tipo de vida particular: a toupeira para a vida subterrnea, a baleia para a vida 
aqutica e assim sucessivamente. Parece que nesses animais cada rgo do corpo se desenvolveu de forma a servi-los o mais eficazmente possvel, no meio em que vivem. 
Assim, ningum poderia duvidar, depois de ter observado uma toupeira ou uma baleia, de que a primeira possui hbitos escavadores e a segunda aquticos. J, porm, 
se nos mostrassem um coelho e admitindo que no conhecamos este animal, poderamos calcular que ele  conformado para correr, o que, na sua existncia, a construo 
de profundas galerias  uma condio primordial de segurana.
Efectivamente, jamais adivinharamos que se trata de um animal escavador, dado que as suas patas no tm nada de comparvel s das toupeiras, possuidoras de fortes 
unhas. Acrescente-se ainda que a lebre, que  de conformao muito aproximada  do coelho, no cava qualquer tipo de esconderijo. Passando revista aos componentes 
do reino animal, verifica-se que, se os casos de adaptao especial a tipos de vida particulares so inumerveis, h tambm no menor nmero de exemplos de animais 
que se adaptaram a um modo de viver especializado sem que qualquer carcter anatmico os dispusesse a esse fim.
Foi sugerido que o coelho selvagem, a espalhar-se, no decorrer dos tempos histricos, por toda a Europa, se teria adaptado  vida subterrnea para escapar aos seus 
inimigos. Nenhuma prova, porm, foi obtida em apoio desta teoria, se bem que um autor haja afirmado que o coelho da Austrlia, descendente do coelho da Europa, teria 
sido observado a nadar e a cuidar dos filhos  superfcie da terra -  maneira da lebre da Europa -, a, onde vive longe dos aglomerados humanos e, por consequncia, 
dos caes, gatos e outros predadores. Esse facto , porm, igualmente difcil de corroborar, embora se afirme tambm que os coelhos que vivem a altitudes elevadas, 
nas montanhas do Pas de Gales, longe das raposas (e dos caes e dos gatos), nidam igualmente  superfcie do solo.
A verdade, que porventura pode existir em tudo o que acaba de se escrever, seria difcil de conciliar com o facto de que os lporos nascem cegos e dbeis, enquanto 
os lebrotes so capazes de correr pouco tempo aps o nascimento. Seria igualmente difcil de explicar o facto de muitos dos coelhos domsticos que se evadem comecem 
imediatamente a cavar os seus esconderijos.
E, no entanto, nada absolutamente, no aspecto do coelho, permite concluir que ele seja particularmente hbil para cavar galerias subterrneas. Encontramo-nos, assim, 
em frente de um facto susceptvel de ser revisto por novas observaes.
H ainda outro pormenor do comportamento dos coelhos que permite formular a hiptese de que os animais adoptam por vezes um modo de vida ou de comportamento para 
os quais no esto especialmente adaptados. Tem-se observado, na verdade, no decorrer de grandes cheias, que os coelhos se refugiam nas rvores, embora ningum possa 
pretender que eles sejam arborcolas!


Redores


Esta  a ordem mais vasta dos mamferos: compreende maior nmero de espcies do que qualquer outra e, por outro lado, muitas destas espcies so mais ricas em indivduos 
do que as da maioria dos outros mamferos. Possuem, todas tanto no maxilar superior como no inferior, de bordo talhado em bisel; no apresentam caninos e os incisivos 
so separados, por largo diastema, de trs a cinco molares, do tipo triturador. Se o incisivo  arrancado ou deslocado, o dente correspondente da maxila oposta cresce 
continuamente em arco e o animal fica condenado a morrer, visto que esse dente acabar por lhe perfurar o crebro ou impedi-lo de se alimentar. Estes incisivos so 
rgos destinados mais a rer do que a mastigao, existindo, por outro lado, uma prega especial dos lbios que, introduzida de cada lado dos incisivos, isola estes 
restos da boca.
Os redores so, em regra, pequenos; a espcie de maiores dimenses tem o tamanho de um porco. A maioria  terrestre, mas existem numerosos redores escavadores, 
arborcolas e aquticos. Pela sua conformao exterior, diferem uns dos outros. Alguns tm uma pelagem sedosa, outros, como o porco-espinho, possuem compridas sedas 
picantes; outros assemelham-se a toupeiras; outros ainda, especialmente os ratos-de-areia ou gerbilos, tm membros posteriores conformados para o salto. Os dedos 
so, geralmente, cinco e, salvo algumas excepes, munidos de unhas. A maioria dos redores alimentam-se de vegetais, outros so omnvoros e alguns, mesmo, carnvoros.
As fmeas, surpreendentemente prolficas, possuem sempre nmero elevado de glndulas mamrias.
A ordem dos Redores  subdividida em trs subordens e esta subdiviso baseia-se em certos caracteres do crnio e dos membros e, principalmente, na forma do maxilar 
inferior, assim como na existncia de uma soldadura eventual da tbia e do pernio:

a) Ciuromorfos (incluem os esquilos, as marmotas e os castores). - Todas as espcies possuem determinados caracteres cranianos, especialmente a existncia da apfise 
ps-orbitria, como os coelhos e as lebres, e a presena de quatro molares em cada hemimaxila. Possuem cauda peluda (excepo dos castores) e a maior parte  arborcola.
 Os esquilos propriamente ditos (Ciurdeos), so na maioria animais pequenos, medindo de 22 a 30 centmetros, sem contar a cauda, de comprimento idntico a do corpo. 
So animais diurnos, extremamente vivos, que se alimentam dos rebentos dos vegetais, gros de cereais e razes; por vezes, comem insectos e outras espcies de animais, 
tais como pequenas aves e ovos. Certas espcies nidam nos troncos ocos das rvores, enquanto outras constrem um ninho feito de ramagens, para a se reproduzirem.
 As espcies mais conhecidas do gnero Sciurus, como o esquilo comum, possui pelagem arruivada. Os esquilos de comprida pelagem cinzenta denomina-se petit-  -gris. 
Outras espcies conhecidas so: esquilo-cinzento-da-carolina (S. carolinensis), o esquilo-vermelho indgena, entre outros.
 O esquilo-de-prvost, S. prevosti, so animais com tonalidades vivas, tem a pelagem ornamentada de preto, branco e encarnado. O tamias-riscado-das palmeiras, ou 
esquilo palmista, Funambulus palmarum,  um animal pequeno, com o dorso riscado de claro em todo o seu comprimento. As espcies norte-americanas so designadas chipmunks, 
e so verdadeiros esquilos terrestres e cavam esconderijos.
 O maior de todos os esquilos  o Ratufa bicolor, cuja cabea e o tronco medem 60 centmetros de comprimento, tanto como a cauda. O esquilo-de-pincis, Reithrosciurus 
macrotis; tem trs compridos pincis de plos nas orelhas, cauda como da raposa e os flancos raiados. Os esquilos-gigantes-da-floresta, Protoxerus, so igualmente 
de grande corporatura. Opem-se-lhes, deste ponto de vista, esquilos-anes, Naannosciurus, no maiores do que um rato, caracterizam-se pelos pequenos plos brancos 
nas orelhas.
 Certos esquilos terrestres esto particularmente adaptados ao seu modo de vida; as unhas so de maior comprimento e o focinho  alongado. No Rhinosciurus, e no 
Hyosciurus, o focinho  extremamente comprido, delgado e afilado, e os dentes, reduzidos, parecem indicativo de regime alimentar composto de insectos moles. No esquilo-ourio 
(Xerus), o focinho  mais comprido do que o dos esquilos vulgares, mas este alongamento no , porm, exagerado. A sua pelagem  particularmente curta e rude. [Uma 
das espcies mais conhecida da africa Ocidental  o Euxerus erythropus, conhecido por 1/2saninho na Guin portuguesa.]
 Entre os representantes desta famlia que menos se assemelham a esquilos assinalam-se os susliks ou espermfilos (Citellus). O tronco e as patas so mais curtos, 
assim como a cauda e a prpria pelagem. Possuem bolsas genais, de cada lado da boca (faceiras), onde armazenam os alimentos. As espcies norte-americanas, frequentemente 
malhadas ou raiadas, so, em geral, designadas por 1/2esquilos terrestres, visto que vivem em esconderijos subterrneos e raramente sobem s rvores.
 As marmotas so, porm, maiores e mais robustas, atingindo o tamanho de um gato. Possuem fortes unhas escavadoras e curta cauda, com pelagem densa. Somente abandonam 
os seus abrigos para procurar os alimentos. A espcie norte-americana mais conhecida  a monax ou marmota-do-canad, denominada localmente woodchuck ou ground hog, 
a Marmota monax, que cava vastos abrigos, com vrias sadas. O grande co-da-pradaria, Cnomys Indovicianus, deve seu nome ao grito de alarme emitido pelas 1/2sentinelas, 
dispostas  entrada dos esconderijos subterrneos que conduzem s suas 1/2cidades, e que serve para advertir de perigos iminentes os seus companheiros.
 Os chamados 1/2esquilos voadores no voam verdadeiramente, mas podem planar de ramo para ramo, com o auxlio de pregas da pele que se estendem de ambos os lados 
do corpo entre os membros anteriores e posteriores. [No confundir com os 1/2voadores da famlia dos Anomalurdeos.] O Petaurillus amiliae, tem cerca de 14 centmetros 
de comprimento, incluindo a cauda, e o Petaurista petaurista,  to corpulento como um gato. Numerosas espcies so ornamentadas de cores vivas e, diferem dos esquilos 
verdadeiros pelo seu modo de vida nocturna.
 A famlia dos Aplodontdeos compreende uma nica espcie, muito pouco conhecida., o castor-da-montanha. Aplodontia rufa,  desprovido de cauda e mede aproximadamente 
35 centmetros; tem orelhas curtas e olhos pequenos. Cava os seus abrigos na proximidade dos cursos de gua e alimenta-se de plantas, que corta com os dentes e leva 
para o seu abrigo.
 O castor-da-europa, Castor fiber, nico representante da famlia dos Castordeos, mede mais de 1 metro, desde a extremidade do focinho  ponta da larga cauda, achatada 
e escamosa. Cada pata possui cinco dedos; os das anteriores so munidos de unhas, utilizada para escavar a terra, enquanto os das patas posteriores so fortemente 
palmados. Vivem agrupados por casais, e no em colnias, estes castores limitam-se a cavar um simples buraco nas margens dos cursos de gua. O castor-do-canad, 
C. canadensis, se assemelha ao castor europeu. A alimentao dos castores consiste essencialmente na casca de rvores novas, de que acumulam vasta reserva para o 
Inverno.
 Os ratos-de-bochechas (Geomdeos) e os ratos saltadores (Heteromideos) constituem um vasto grupo de pequenos redores escavadores e saltadores. Superficialmente, 
no se assemelha aos esquilos, embora se aproximem deles pela estrutura do crnio. Os ratos-bochechas, Geomys e Thomomys, vivem, como as toupeiras, em galerias abaixo 
da superfcie do solo; alimentam-se de tubrculos e de razes. Nas galerias podem deslocar-se para a frente ou em movimento de recuo, utilizando, neste ltimo caso, 
a cauda, sensvel, como rgo de tacto.
 Os ratos-de-bolsas, Perognathus, e os ratos-cangurus, Dipodomys, tm patas e cauda compridas. possuem, quer uns, quer outros, bolsas que se abrem  superfcie das 
faces. Tm o comprimento de 12 a 22 centmetros, alimentam-se de gros , que procuram durante a noite. Certas espcies podem manter-se na gua durante um perodo 
de tempo indeterminado. O rato-espinhoso-de-bolsas, Heteromys anomalus, possui no dorso uma cobertura de espinhos. Os grandes ratos saltadores, que podem atingir 
30 centmetros de comprimento, so belos animais que se assemelham aos gerbilos. Tm compridos membros posteriores, longa cauda, tufosa na extremidade, olhos grandes 
e orelhas bem desenvolvidas. A pelagem, fulva ou cor de areia. O seu modo de locomoo  por saltos, que, por vezes, atingem perto de dois metros!
 Uma outra famlia de 1/2esquilos voadores (Anomalurdeos), que se destingue, pela sua cauda escamosa. Em trs dos gneros conhecidos, os membros anteriores e posteriores 
so unidos por uma membrana cutnea que engloba igualmente a cauda; nesta, a face inferior apresenta uma regio escamosa e spera que permite a estes animais trepar 
aos troncos lisos das rvores em que vivem.
 As espcies do gnero Anomalurus tm o comprimento, aproximadamente, 60centmetros; possuem um patgio que lhes permite planar, unhas compridas, cauda tufosa e 
escamosa. Os representantes do gnero Idiurus so bastante mais pequenos, no ultrapassando a corpulncia da ratazana. A cauda, embora no guarnecida de escamas, 
 spera inferiormente, enquanto na face dorsal parece mais emplumada do que guarnecida de plos, de tal forma estes so compridos e finos. Abrigam-se nos ocos das 
rvores, procurando frutos durante a noite. O representante menos conhecido da famlia  Zenkerella insignis, dos Camares, no qual falta a membrana que funciona 
como asa. [A esta famlia pertence o rato-voador, Anomalurops beecrofti, encontradio nos palmares da Guin Portuguesa.] As lebres-saltadoras (Pedestdeos) so animais 
semelhantes aos cangurus, mas de cor da areia e do tamanho de uma lebre; tm longos membros posteriores, cauda peluda, olhos e orelhas grandes, e unhas em forma 
de casco em todos os quatro dedos das patas posteriores. Vivem em colnias, nos abrigos cavados areia branda, e so impiedosamente perseguidos, pelos prejuzos que 
causam nas culturas. Conhece-se unicamente uma espcie: Pedestes cafer.[Em Moambique, so conhecidos no 1/2magengo.] Os Bers designavam-nos por springhas (lebres-saltadoras), 
apreciados pelos indgenas. A noite  o nico perodo em que saem dos seus abrigos, so animais verdadeiramente nocturnos.
 Estranha  - ainda que explicvel por serem animais habitantes de estepes ridas -, a influncia que a gua exerce sobre eles. Estes animais se deixam capturar 
facilmente quando chove.
 
b) Miomorfos (incluem os ratos e ratazanas). - So desprovidos de apfise ps-orbitria; a tbia e o pernio so soldados; e cada hemimaxila no comporta nunca, 
mais de trs molares. De todos os mamferos, so estes os mais adaptados a todas as circunstncias e dotados de prolificidade notvel. A maioria das espcies  terrestre, 
mas algumas tornam-se arborcolas e escavadoras e outras adaptam-se  vida aqutica.
 A famlia dos Cricetdeos compreende todos os chamados 1/2ratos do Novo Mundo (excepto as espcies importadas) e os ratos-do-campo (Apodemus). Distinguem-se da 
grande famlia dos Murdeos, a que pertence os ratos e as ratazanas, principalmente pela disposio do esmalte dos molares. Nos Cricetdeos, a coroa apresenta quer 
duas fiadas paralelas de tubrculo, separados por um sulco mdio, quer uma disposio regular de tringulos de esmalte agrupados alternadamente. Como se observa 
nos ratos-de-campo e nos lemos (Leus).
 Os ratos e as ratazanas tm habitats variados - estepes herbosas, vertentes rochosas, florestas tropicais, margens dos rios ou lagos ou at a prpria gua. Os ratos 
bem conhecidos so os de patas brancas, Peromyscus, o seu aspecto exterior aproxima-os muito do rato-do-campo: tm grandes orelhas nuas, olhos grandes, longa cauda 
escamosa, patas compridas e esbeltas; a sua colorao vai do castanho--areia ao spia, enquanto o abdome e as patas so brancos.. Estes ratos abundam nos jardins, 
campos, bosques e praticamente em todos os locais em que podem encontrar alimentos e abrigo. Evitam, no entanto, o Homem.
 Os ratos dos arrozais, Oryzomys; so, em regra, de colorao uniforme, castanho-avermelho. Uma espcie muito vulgar  o rato-do-algodo, Signodon hispidus. Entre 
as espcies mais pequenos de Cricetdeos, podem ser citados os harvest mice (ratos-da-cearas) americana, Reithrodontomys, pequenos e graciosos, trepadores de longa 
cauda, e os ratos-dos-bosques, Neotoma, que so maiores. Estes ltimos tm o hbito curioso de juntar montes de varas para se abrigar, reunindo a todos os objectos 
de cores vivas ou brilhantes que encontram. A espcie de maior corporatura, N. floridana, tem cerca de 40 centmetros de comprimento. O rato-da-bananeira, Nyctomys 
sunichrasti,  um trepador emrito: possui membros anteriores adaptados a esta funo e cauda notavelmente peluda. Este pequeno animal, que se assemelha um pouco 
ao loir (Glis glis). Existe tambm um grupo especializado de ratos pescadores, o Ichthyomys caurinus, tm crnio achatado, incisivos superiores de gancho, pelagem 
espessa e sedosa, orelhas externas vestigiais, membros posteriores alongados e orlados de plos, com dedos parcialmente paliados, e uma cauda muito peluda. Alimentam-se 
especialmente de pequenos peixes e de outros animais aquticos.
 Os hamsteres so animais de patas curtas, orelhas pequenas, cauda curta e bolsas faciais muito desenvolvidas. A espcie mais conhecida  o hamster comum, Cricetus 
cricetus. Tem de 25 a 30 centmetros de comprimento e possui cauda rudimentar. A pelagem  notvel pelos contrastes de cor: o dorso  arruivado e o ventre negro 
em grande extenso, enquanto os flancos so brancos. Este animal  famoso pela construo complicada dos seus abrigos. O hamster-dourado, Mesocricetus auratus, tm 
em vez dos 8 mamilos habituais dos outros hamsteres. possui de 14 a 22. A gestao completa-se em 15 a 16 dias e, aps sete semanas, os jovens atingem a idade adulta. 
utilizado como animal de laboratrio.
 O rato-de-cauda-branca, Mystromys albicaudatus, no possui bolsas faciais e vive completamente isolado dos outros membros da famlia. O rato-de-crista, Lophiomys 
imhnsi, animal com cerca de 30 centmetros e provido de cauda no menos longa. Tem aspecto grisalho, visto que o corpo e a cauda so inteiramente cobertos de compridos 
plos anelados de branco e negro, os quais podem, erguendo-se, formar uma crista ao longo do dorso, cujo efeito  o de tornar o animal extremamente visvel.
 O rato-do-campo (Microtus) e os lemos (Lus) constitui um grupo de pequenos redores muito numerosos, so quase todos adaptados aos climas frios, o que se traduz 
pela reduo do tamanho das orelhas e da cauda (que, no entanto,  extremamente peluda) e pela grande espessura da pelagem. Tm olhos pequenos e corpo espesso e, 
na maior parte dos casos, o hbito de escavar.
 O leing-de-colar ou lemos-das-neves, Icrostonyx torquatus, animal praticamente desprovido de pavilho auricular e de cauda, mas que possui espessa pelagem.   notvel 
tambm pelo aumento sazonrio do tamanho das unhas dos dois dedos mdios das patas anteriores, coberto de plos. No Vero, estas unhas so j relativamente longas, 
mas, com a aproximao do Inverno, aumentam ainda de comprimento, recurvando-se simultaneamente, enquanto na parte inferior uma excrescncia nodosa adquire tal extenso 
que a unha parece dupla. Desenvolveu-se assim um rgo em forma de sacho reforado, que est incontestavelmente ligado  vida hibernal do animal, passada nas neves. 
No Inverno, todos os lemos-das-neves se tornam brancos.
 O lemos tm igualmente pelagem espessa, orelhas curtas, cauda e patas peludas, mas as unhas anteriores no so to desenvolvidas como nos lemos-das-neves, ainda 
que bastante compridas.
 O lemos-do-norte (L. leus), animal de cerca de 12 centmetros de comprimento e pelagem castanho-amarela, criou a reputao de ser um animal migrador. Vive geralmente 
em colnias nas regies montanhosas da Escandinvia, onde se alimenta de razes e de musgos.
 As espcies mais numerosas e espalhadas so do gnero Microtus, os ratos-dos-campos propriamente ditos, existem em praticamente todos os locais que existe vegetao, 
especialmente plantas herbceas e searas de trigo. O Microtus mustertsi da Cirenaica  o nico rato-campestre do continente africano.
 Os ratos-campestres de dorso ruivo, Clethrionomy, tm aproximadamente a mesma distribuio dos vulgares. A espcies europeia, Cl. glareolus, habitam em terrenos 
de vegetao mais espessa.
 Os ratos-de-guas, Arvcola, so maiores e de colorao variando de castanho-  -escuro ao negro. A espcie Arvcola amphibius  o rato-de-gua propriamente dito, 
enquanto o A. schermani vive principalmente nos jardins e campos mais secos, situados a altitudes mais elevadas, onde escavam galerias superficiais e causa prejuzos 
importantes pela sua glutonice.
 A espcie de maior tamanho desta famlia  o rato-almiscarado Ondatra zibethica, que pode atingir o comprimento de 50 centmetros e que se adaptou  vida aqutica 
pelo alongamento e achatamento lateral da sua cauda escamosa. Em certos pases, os ondatras tornaram-se prejudiciais, porque, com as suas galerias, destrem os diques 
e escavam as margens dos canais e dos rios.
 Os gerbilos ou ratos-da-areia, compreendem vrios gneros de pequenos redores, geralmente de cor de areia ou amarelo, e que tm, em muitos casos, os olhos preminentes, 
grandes orelhas e longas caudas, contrariamente, aos ratos-campestres. Numerosos gneros, tais como Tatera e Gerbllus, vivem no deserto. Os ratos-toupeiras, Spalax, 
da famlia dos Espalacdeos, so extremamente adaptados  vida subterrnea, tm os olhos cobertos por uma membrana e no tm cauda. Os incisivos, muito preminentes, 
servem-lhes para escavar o solo; a pelagem  muito curta. Alimentam-se principalmente de razes e de tubrculos.
 Uma outra famlia de redores, adaptados tambm  vida subterrnea,  a dos Rizonideos.
 O rato-dos-bambus, Rhizomys,  um animal grande e espesso; o rato-toupeira, Tachyoryctes, assinala-se pela sua pelagem extremamente macia.
 A mais vasta famlia de redores e mais espalhada  a dos Murdeos. Todos os ratos e ratazanas propriamente ditos pertencem a esta famlia. No possuem nunca mais 
do que trs molares em cada hemimaxila e, em certos casos, no tm, mesmo, mais do que dois. pela sua facilidade de adaptao em matria de alimentao e de habitat, 
assim como pela rapidez de multiplicao, asseguram o primeiro lugar no mundo animal.
 O rato-ano (Micromys minutus)  uma das mais pequenas espcies de redores. Constrem seus ninhos suspensos dos caules de trigo ou de canios; tm cauda parcialmente 
prensil. O rato-dos-bosques ou rato terrenho, Apodemus sylvaticus, vive habitualmente nos campos, nos bosques e nos jardins; procura seu alimento nas habitaes, 
sem no entanto se tornar 1/2domstico. [Em Portugal, est representado por duas subespcies: callipides e dichrurus.]
 Os ratos-listrados (Lemnis comys), so identificveis pelas listas mais escuras, muito ntidas. Nos ratos-espinhosos (Acomys), cujo dorso  recoberto de espinhos 
duros e hirsutos.
 Os mais bem conhecidos de todos os Murdeos so os ratos propriamente ditos (Rattus), de que foram descritas mais de 500 formas. A ratazana-castanha ou arganaz, 
Rattus norvegicus, animal atarracado, com orelhas pequenas, cuja cauda pode ser to comprida como o tronco e a cabea reunidos. Espalhou-se pelos centros habitados 
do Mundo inteiro. Por toda parte onde possa descobrir um habitat natural ou artificial, adapta-se perfeitamente, de modo que se encontra tanto nos valados, sebes 
e propriedades agrcolas, como no sistema de esgotos das grandes cidades.. A ratazana-castanha resiste a climas rudes, mas a ratazana-preta, Rattus rattus, tem necessidade, 
nos climas frios, da proteco que lhes oferecem as casas de habitao ou outras construes; as orelhas so mais alongadas e a cauda mais comprida do que o tronco 
e a cabea reunidos;  um excelente trepador.
 O rato-domstico, Mus musculus, espalhou-se em todo Mundo, seguindo o Homem, o que no o impede de que seja muito capaz de prover s suas prprias necessidades 
na Natureza.
 Pelas suas reduzidas dimenses e grande fecundidade, transformou-se num flagelo difcil de evitar. Certas espcies aparentadas com o rato-domstico vivem ainda 
em estado selvagem.
 Os Murdeos da Austrlia compreendem entre outros: o rato-gerbilo (Notomys); o rato-de-gua (Hydromis); e os ratos-gigantes (Mallomys) que podem atingir o tamanho 
total de quase um metro e possuem pelagem escura, longa e espessa. As mesmas grandes dimenses e espessura da pelagem so quase atingidas pelo Phlemys e pelo Crateromys 
schadenbergi, que  verdadeiramente mpar, possuindo uma cauda to tufosa como a de um esquilo.
 Os Glirdeos so pequenos redores de pelagem macia e cauda guarnecida de plos abundantes e por vezes compridos. Uma das espcies mais conhecidas  o muscardinho 
ou quebra-avelas, Muscardinius avellanarus, famoso entre todos os Mamferos pela durao do seu sonho hibernal. Existem tambm o rato-do-jardins da Europa, de delicada 
pelagem acinzentada e cabea branca e negra, Eliomys quercinus [conhecido em Portugal por 1/2rato-dos-pomares ou 1/2rato-da-serra] e o rato-espinhoso, Placanthomys 
lasiurus, cujo dorso  coberto de espinhos achatados.
 As gerboas (Dipoddeos) constituem uma famlia distinta de ratos-do-deserto. A maioria das espcies  bem adaptada para o salto. No caso da gerboa do Egipto, Jaculus 
jaculus, o nmero de dedos das patas posteriores est reduzida a trs. A cauda  comprida e tufosa na extremidade; do mesmo modo, como nos cangurus, serve de terceiro 
ponto de apoio.
 Escavam os seus abrigos nas zonas de reduzida vegetao, procuram os alimentos durante a noite. Na maior parte das espcies so muito curtas em comparao com as 
posteriores.
 No Alactaga major, as orelhas so bastante mais compridas do que no gnero Jaculus, mas neste aspecto o record  detido pelo Euchoreutes naso, espcie muito rara 
da Monglia, cujas orelhas so to compridas como metade da cabea e do tronco reunidos!
 
c) Histricomorfos (incluem os porcos-espinhos e os cobaios). - A subordem dos Histricomorfos compreende grande nmero de redores de tipos muito diversos, que tm 
em comum a estrutura particular da maxila inferior e a presena - salvo algumas excepes - de quatro molares em cada hemimaxila. O nome desta subordem  derivado 
do gnero Hystrix, a que pertence o porco-espinho, o mais bem conhecido de todos estes animais, embora seja muito reduzido o nmero de espcies do agrupamento que 
possuem espinhos. A maior parte dos Histricomorfos so redores normalmente apenas revestidos de plos.
 Os porcos-espinhos pertencem na maioria a gnero Hystrix, so redores grandes e atarracados, medindo aproximadamente 75 centmetros de comprimento; tm focinho 
achatado, cauda curta e patas muito vigorosas munidas de unhas fortes. O seu revestimento de espinhos compridos e slidos, que so maiores na parte posterior do 
dorso, constitui uma proteco extremamente eficaz contra a maioria dos seus inimigos. A cauda possui um tipo particular de espinhos, ocos e rombos, por intermdio 
dos quais o animal, quando em estado de grande excitao, pode produzir rudo de alarme semelhante ao da matraca. Todos os porcos-espinhos tm fortes incisivos que 
utilizam para rer; o seu regime alimentar consiste em toda a espcie de razes, de frutos e de plantas de cultura.
 So animais essencialmente nocturnos, que vivem habitualmente em colnias, nos seus covis, situados em geral nas regies montanhosas. [Assim como o porco-espinho-de-crista, 
H. cristata.]
 O ateruro, Atherurus africanus,  bastante mais pequeno, tendo aproximadamente a corpulncia de um coelho. Os espinhos so menos desenvolvidos e so mais sedas 
achatadas do que propriamente espinhos; a sua longa cauda possui na extremidade um tufo de pequenos espinhos achatados. Os porcos-espinhos do Novo mundo pertencem 
a uma famlia, os Eretizontdeos, e derivam indubitavelmente de um grupo diferente do das espcies do Velho Mundo. So, na maior parte dos casos, animais arborcolas 
providos, por vezes, de longa causa prensil e de patas caractersticas dos trepadores. Os seus espinhos so mais curtos do que os dos porcos-espinhos do Velho Mundo. 
No porco-espinho canadiano, Erethzon dorsatum, os espinhos, curtos mas guarnecidos de dentculos, encontram-se completamente dissimulados sobre a pelagem comprida 
e espessa, adaptao manifesta  existncia em climas frios. Ainda que, ocasionalmente, o animal trepe nas rvores, possui uma curta cauda no prensil e armada 
de espinhos; tal como na maior parte dos animais protegidos por uma armadura ou por esinhos, ele no presta ateno aos inimigos eventuais, havendo assim adquirido 
reputao de temerrio. Os porcos-espinhos arborcolas da Amrica do Sul, de que o ourio-cacheiro de cauda prensil, Coendu prehensilis [o cuim dos Brasileiros], 
pode servir de tipo, tm longa cauda preensora, ausncia total de plos, enormes espinhos e patas posteriores igualmente preensoras, pelo desenvolvimento duma nodosidade 
carnuda que pode opr-se aos dedos.
 Os cobaios so animais pequenos, terrestres de pelagem macia e desprovidos de cauda. A espcie mais conhecida  a do Brasil, o cobaio pre, Cavia aperea, que pertence 
 mesma famlia dos cobaios de laboratrio, designados vulgarmente por porquinho-da-ndia. [ provvel que o cobaio domstico provenha da estripe selvagem da espcie 
Cavia purcellus, da fauna do Brasil e do Paraguai.]
 O mara da Patagnia ou lebre-das-pampas, Dolichotis patagonica,  um animal grande e, como as lebres, possui membros compridos; cada um dos trs dedos das patas 
posteriores possui uma unha em forma de casco; a cauda  rudimentar e so extremamente rpidos.
 O maior de todos os redores  a capivara ou porco-de-gua, Hydrocherus capybara ou H. hydrochreris, animal de estrutura macia, podendo atingir 1,20 metros; completamente 
inofensivo, vive ao longo dos ribeiros e dos lagos. Se bem que se sinta bem na gua, no  um animal adaptado  natao; os dedos dos membros posteriores so apenas 
rudimentarmente palmados. A cabea  larga e grande; as orelhas so pequenas, a pelagem  grosseira e a cauda rudimentar. A alimentao  exclusivamente de origem 
vegetal.
 Um outro redor histricomorfo  a paca, Cuniculus paca [com pelagem pardo-amarelada listrada longitudinalmente de branco creme].
 As lebres-douradas (Dasypocta) constituem outro grupo de redores semelhantes aos coelhos. Possuem patas compridas e unhas em forma de casco, nos trs dedos das 
patas posteriores. Vivem no solo, nos bosques densos, etc.
 
 A pequena chinchila langera, Chinchilla laniger, que possui grandes orelhas e cauda em penacho, como os esquilos, vive no alto Andes.  bem conhecida pela suavidade 
e beleza da sua pelagem sedosa, de cor cinzenta.
 O viscache, Lagostomus, pertence  mesma famlia. O coipo da Amrica do Sul ou ragondim, Myocastor coypus,  um animal verdadeiramente aqutico, tem um modo de 
vida muito semelhante ao dos castores, mas possui cauda comprida e escamosa. Sob o revestimento de sedas grosseiras, dissimula-se uma pelagem densa de grande valor 
comercial. A disposio dos mamilos  to alta nos flancos que os filhos podem mamar, cavalgando a mae enquanto mamam; isso representa uma adaptao notvel  vida 
aqutica.
 Os ratos-dos canaviais, Thryonomys swinderianus,  um animal com pelagem grosseira e cauda curta. [Na Guin Portuguesa,  conhecido por 1/2farfana]. , alm dos 
porcos-espinhos, um dos raros Histricomorfos do Velho Mundo.
 A famlia dos Ctenodactildeos, os gundis, compreende quatro gneros de pequenos redores pouco conhecidos, que, pela forma e tamanho, se assemelham bastante aos 
cobaios. Os gundis, do gnero Pectiontor, e o gnero Massouteria, so os mais conhecidos, vivem nos locais secos, por entre as rochas.
 Uma outra famlia  a dos Bnatiergdeos, os ratos-toupeiras. Compreende seis gneros, cujos representantes so semelhantes a toupeiras, pela forma e modo de vida; 
escavam longas galerias na terra movedia para a procurarem as razes e os tubrculos de que se alimentam. O tamanho, o desenvolvimento das unhas e a colorao 
diferem sensivelmente, de gnero para gnero (por exemplo: Georyrgus, Cryptomys e Bathyergus). Os Bathyergus atingem cerca de 25 centmetros de comprimento e possuem 
unhas desmedidamente grandes nas patas anteriores. So as toupeiras-da-areia. O representante mais notvel da famlia  o rato-toupeira-arborcolas glabro, Heterocephalus 
glaber, pequeno animal quase completamente nu, pois no possui mais do que alguns plos esparsos.
  

Cetceos


Os Cetceos compreendem os maiores animais existentes ou que hajam existido; tm o corpo pisciforme e so adaptados  vida integralmente aqutica. Os membros anteriores 
esto transformados em barbatanas, enquanto os posteriores no existem. A cauda  formada de dois lobos opostos, constituindo uma verdadeira barbatana caudal, disposta 
horizontalmente (nos peixes a barbatana caudal  vertical). A respirao realiza-se atravs de um orifcio situado no alto da cabea.
Os Cetceos, animais de sangue quente, so protegidos contra o frio por espessa camada adiposa, situada sob a pele nua e lisa. No que respeita ao esqueleto, a cintura 
plvica no existe e as vrtebras cervicais so muito compridas; em certas espcies elas encontram-se mesmo soldadas. Numerosas baleias so susceptveis de mergulhar 
a grandes profundidades e a permanecem por perodos at uma hora, quer com a finalidade de alimentos - como os Odontocetas - quer como defesa contra os seus inimigos.
A ordem dos Cetceos  dividida em duas subordens: os cetceos com 1/2barbas, Misticetas, e os cetceos com dentes, Odontocetas.
As 1/2barbas de baleia do comrcio so exactamente as dos Misticetas, isto , delgadas lminas crneas que pendem, s centenas ou milhares, de cada lado da boca, 
cujas extremidades franjadas, voltadas para o interior, constituem uma espcie de passador. Nele ficam retidos os pequenos crustceos, alimento principal destes 
mamferos, quando a gua do mar, que entra na boca, de cada vez, s toneladas,  expulsa atravs desse filtro, com a ajuda da lngua.
A maior de todas as baleias  o rorqual-azul, Balaenoptera musculus, que atinge o comprimento de 30 metros!  o maior de todos os animais conhecidos. Como todos 
os Balenopterdeos,  extremamente hidrodinmica e possui, alm disso, uma barbatana dorsal. a pele da regio gular  sulcada de pregas longitudinais, o que lhe 
permite distend-la fortemente para que possa entrar uma maior quantidade de gua.
A gestao  de 12 meses e, de cada vez, nasce somente um baleote, com cerca de 8 metros de comprimento. O seu desenvolvimento  to rpido que, aos dois anos, est 
apto para a reproduo, embora s possa considerar-se adulto aps 10 a 12 anos.
O rorqual-comum, Balaenoptera physalus, vive mais ao norte e atinge 25 metros de comprimento.
As baleias propriamente ditas (Balaena), foram vtimas de caa intensiva. Estes animais, fceis de localizar e de capturar. A baleia-branca da Gronelndia, Balaena 
mysticetus, atinge os 20 metros, dos quais 1/3  representado pela enorme cabea; fornece excelente qualidade de babas de 3 a 4 metros de comprimento. Estas baleias 
no possuem barbatana dorsal e no tem pregas gulares.
A baleia-de-bossa, Megaptera nodosa, atinge cerca de 16 metros de comprimento e encontra-se espalhada por todo o Mundo. Tem de notvel o grande comprimento das estreitas 
barbatanas peitorais, que emergem, por vezes, da gua quando estas baleias brincam, nadam, em posio invertida. Constitui um elemento de caa costeira muito importante.
Os Cetceos odontocetas possuem nmero muito varivel de dentes cnicos, muito simples. Alimentam-se principalmente de peixes, de chocos, lulas e de outros animais 
marinhos. Na sua maioria, os Odontocetas, so de dimenses pequenas, ou mdias, e tm por vezes o focinho em forma de bico.
O maior de todos estes Cetceos, o cachalote, Physeter catodon, que pode atingir o comprimento de 20 metros,  facilmente identificvel pela sua enorme cabea troncada 
e pela mandbula relativamente delgada e eriada de dentes numerosos. No possui barbatana dorsal. O espermacete, que se acumula em cavidades da cabea, e o mbar 
cinzento, espcie de secreo cirosa, odorfera cirosa e odorfera do intestino, alm da sua espessa camada de gordura, fizeram deste mamfero um animal economicamente 
importante. O cachalote encontra-se em geral nos mares quentes e a sua alimentao consiste principalmente em chocos e lulas.
A famlia dos Zifdeos, de que faz parte a baleia-bico-de-garraf, Hyperoodon rostratus, que  caracterizada pelo facto de no possuir mais de um ou dois pares de 
dentes na mandbula. Estes Cetceos no ultrapassam o comprimento de cerca de 10 metros. Os belugas (Delphinapterus) e golfinhos (Delphinus) so muitas vezes confundidos, 
mas aqueles podem ser definidos como pequenos cetceos de cabea arredondada e dentes achatados, enquanto os golfinhos tm focinho pontiagudo e dentes cnicos. O 
roaz-corvineiro, Tursiops truncatus,  um golfinho [isto , pertence  famlia dos Delfindeos].
Uma espcie notvel  o narval ou unicrnio do mar, Monodon monoceros, mede cerca de cinco metros. O macho apresenta, na maxila superior, uma defesa torcida segundo 
o seu eixo (o canino esquerdo) que pode atingir 2,50 metros de comprimento. A barbatana dorsal no existe no narval nem na beluga, Delphinapteus leucas.
O maior representante dos Delfindeos  a orca ou roaz-de-bandeira, Orcinus orca, cujo macho pode atingir o tamanho de 10 metros; a fmea no tem mais de metade 
deste comprimento. A sua poderosa dentio e a sua enorme glutonaria, a par do hbito de perseguir os cardumes de peixes, fizeram deles o terror de todos os mares. 
As orcas no hesitam mesmo em atacar as baleias de grandes dimenses e destrem enormes quantidades de belugas, de focas e de aves marinhas.
A toninha vulgar, Phocaena phocaena, que tem o comprimento de aproximadamente dois metros e se apoderam de peixes capturados nas redes dos pescadores.
O golfinho-comum, Delphinus delphis,  conhecido em todo Mundo e tem a facilidade de conseguir seguir todos os navios,  considerado o mais rpido de todos os Cetceos.
A espcie de golfinho, Sotalia teuszi,  o nico entre todos os Cetceos que se alimenta exclusivamente de vegetais.
A famlia dos Platanistdeos, os golfinhos de gua doce, so de dimenses reduzidas e possuem um focinho muito alongado, dotado de numerosos dentes de pequeno tamanho. 
Umas das quatro espcies conhecidas  o susue ou golfinho do Ganges, Plateanista gangetica.  totalmente cego e alimenta-se procurando como o focinho os peixes aprisionados 
no lodo.


CARNiVOROS


Os Carnvoros, na sua maioria, alimentam-se de vertebrados vivos, ainda que alguns sejam mais propriamente omnvoros do que carnvoros. Esses mamferos diferem uns 
dos outros pela corpulncia, forma e modo de vida. Nunca possuem menos de quatro dedos, em cada pata, munidos de unhas, por vezes retracteis; no existem, em nenhum 
caso, polegar oponvel. [Formam uma superordem.]
A dentio dos carnvoros  constituda, geralmente, em cada hemimaxila, por trs pequenos incisivos, um canino, de grande desenvolvimento, e nmero varivel de 
molares Na maioria das espcies, um dos molares, denominado dente carniceiro,  de grande volume, tanto no maxilar superior como no inferior; este molar possui uma 
aresta extremamente cortante. Os Carnvoros terrestres, que tm os membros normalmente conformados e dedos separados, constituem a ordem dos Fisspedes, que inclui 
os caes, os ursos, os gatos-almiscarados, as hienas, os gatos, etc. Na ordem dos Pinpedes - animais exclusivamente marinhos -, as patas encontram-se transformadas 
em barbatanas. 


Fisspedes


A famlia dos Candeos, que inclui os caes, os lobos, as raposas, etc.,  composta de animais terrestres com membros compridos e focinho alongado. Possuem cinco 
dedos nas patas anteriores e, geralmente, quatro nas posteriores; a cauda  tufosa e, em regra, menos comprida do que a cabea e o tronco reunidos; possuem de seis 
a sete molares em cada hemimaxila, dos quais um  o dente carniceiro.
A maior parte dos Candeos caa  vista, apanhando as presas  custa da sua maior velocidade e resistncia. O lobo comum, Canis lupus, pode servir de tipo de famlia, 
 qual pertencem tambm os chacais, os dingos [Canis dingo], assim como todos os caes domsticos. Os lobos causam grandes devastaes nos animais domsticos. O coiote, 
C. latrans, da Amrica do Norte, denominado localmente lobo-das-pradarias, conseguiu manter-se a em grande nmero, graas  sua facilidade de adaptao. Os chacais 
vulgares, Canis aureus, e as espcies prximas alimentam-se de cadveres e de pequenos animais. O lobo-de-crineira, Chrysocyon brachiurus, de patas extraordinariamente 
compridas. [No Brasil,  designado por guar, guar-au ou guar-estrela.
As raposas, caracterizam-se pelo focinho pontiagudo e cauda muito peluda. Vivem em covis e, para caar tiram principalmente partido da sua faculdade de se deslocarem 
silenciosamente. A raposa vulgar, Vulpes vulpes ,  particularmente sujeita a variaes de pelagem, cuja cor pode ser negra ou prateada.
A raposa polar ou isatis, Alopex logopus,  castanha no Vero e branca no Inverno. Existe, porm, uma variedade de azul-ardsia, a raposa-azul, que nunca se torna 
branca. Estas raposas so criadas no estado semi-selvagem e a mais pequena de todas  o fenec, Fennecus zerda, animal de cor de areia clara,  menor do que um coelho 
e possui enormes orelhas. Alimentam-se principalmente de pequenos redores.
O dole, Cuon javanicus, animal com pelagem vermelha, curta, que caa em grupo, tendo adquirido uma grande reputao pela tenacidade com que persegue os veados, de 
que principalmente se alimenta. O lobo malhado, Lycon pictus, possui apenas quatro dedos em cada pata, tem membros mais compridos, as orelhas levantadas e a pelagem 
 caracteristicamente malhada de preto, branco e amarelo-ocre. [Na africa Portuguesa,  conhecido por 1/2mabeco ou 1/2co-do-mato.]
Os ursos (Ursdeos) constituem um grupo bem distinto. So de grande corporatura, pesados, e possuem apenas um rudimento de cauda. Os ps so achatados e tm unhas 
no retrcteis. Os dentes molares so relativamente fracos e achatados, prprios de animais essencialmente omnvoros, constituindo a carne reduzida parte do seu 
regime alimentar, exceptuando o caso particular do urso-branco. Exemplos de tipos de ursos: urso pardo (Ursus arctos); ursos cinzentos ou grizzly (Ursus horribilis); 
ursos castanhos (Ursus mittendorfi); entre outros, so os maiores carnvoros terrestres do Mundo inteiro. Este ltimo atinge uma altura de trs metros e pode ultrapassar 
o peso de 700 quilos. Desde que no sejam incomodados, todos estes ursos so inofensivos. Alimentam-se principalmente de bagas e outros frutos, assim como pequenos 
mamferos que desenterram ou que vo procurar sob os troncos das rvores abatidas; por vezes, comem tambm peixes. Outro exemplo  o urso preto da Amrica ou baribal, 
Urus americanus.
O urso prochile-lipu ou ursdo-acrobata, Melursos ursinus, alimenta-se essencialmente de trmitas e de outros insectos, de mel e de frutos. Possui lbios muito grandes 
e mveis; faltam-lhe os dois incisivos mdios superiores. O mais pequeno de todos os ursos  o urso-dos-coqueiros ou bruan, Helarcto malayanus. Este excelente trepador 
 negro, com uma grande malha clara, em forma de crescente, no peito. O urso-de-culos, Tremarctos ornatus,  de cor negra, com um crculo branco ao redor dos olhos. 
O urso branco ao polar, Thalarctos maritimus,  o nico urso verdadeiramente carnvoro. Devido  sua pelagem branca, suporta o frio polar, e a planta dos ps, peluda, 
permite-lhe caminhar facilmente sobre o gelo. Ataca principalmente focas e peixes, mas alimenta-se tambm de restos de qualquer animal de cetceos.
A famlia dos Prociondeos ou 1/2ursos pequenos compreende, entre outros, os gaxinins ou lavadeiros, os coatis, os kinkajus ou japurs, e as pandas.
Salvo estes ltimos, todos os restantes so pequenos plantgrados omnvoros. E, salvo um s gnero, possuem cauda comprida, por vezes anelada, e molares de coroa 
chata.
O rato-lavadeiro, Procyon lator,  um animal de espessa pelagem cinzento-acastanhada, do tamanho de um gato e dotado de grossa cauda anelada. Este gracioso animal 
tem o hbito curioso de mergulhar todos os seus alimentos na gua antes de ingeri-los. Dorme durante o dia nas rvores escavadas e caa durante a noite  beira dos 
cursos de gua; alimenta-se de ras, de moluscos, de frutos cados, etc. [Tm hbitos idnticos o guaxinim ou mo-pelada, Procyon cancrivorus brasiliensis.]
Os coatis (Nasua), tm o focinho muito alongado e comprida cauda anelada. So arborcolas e de costumes gregrios. O kinkaju, Potos flavus [conhecido no Brasil por 
1/2japur ou 1/2macaco-da-meia-noite], tem pelagem amarelo-acastanhada, uniforme, e longa prensil. O dato-de-cauda-anelada, saricus astutus,  um animal esbelto 
preto e branco.
Os dois representantes da famlia dos Prociondeos, que possuem dentes molares muito especializados, com a coroa larga do tipo triturador, so muito diferentes no 
aspecto. O panda pequeno, Ailurorus fulgens,  um animal arborcolas, com aspecto de gato, mas possui cauda comprida, anelada, magnfica pelagem vermelho-acastanhada, 
face esbranquiada, ventre e patas negras; o seu regime alimentar  misto. O panda gigante, Ailuropoda melanoleuca,  muito maior e assemelha-se a um urso; a cauda 
 muitssimo curta. [Era conhecido pelo nome de 1/2urso-do-padre-david] A pelagem  preta e branca;  muito caracterstica. Os dentes, do tipo triturador, permitem-lhe 
alimentar-se de rebentos de bambus, mas este regime  enriquecido pela incluso de pequenas aves, mamferos e peixes.
Os Musteldeos, que incluem, entre outros, as doninhas, as martas, os fores, os texugos e as lontras, so animais de corporatura pequena e mdia, patas curtas, 
e cuja dentio compreende nmero reduzido de molares. Habitam principalmente as regies frias e temperadas; alguns deles possuem pele de grande valor.
As doninhas e os arminhos, os mais pequenos de todos os carnvoros, so geralmente reputados como os caadores mais tenazes. Desenvolvem uma aco importante na 
luta biolgica contra os ratos e ratazanas, chegando mesmo a atacar animais do tamanho de um coelho. A doninha-grande, Mustela erminea, torna-se branca no Inverno, 
excepto a extremidade da cauda, que se mantm negra; toma ento o nome de arminho. A espcie prxima, a doninha-pequena, nivalis mantm a cor castanha durante todo 
ano, e a ponta da cauda  negra. O toiro ou furo-bravo, Mustela putoriusestreitamente aparentado com o furo. O viso, Lutreola vison, pertence tambm  famlia; 
fornece uma pele castanho-escura, brilhante e altamente valiosa.
A marta vulgar, Mortes martes,  arborcola e um dos maiores inimigos dos esquilos. A fuinha, M. foina, antigamente muito comum. [Representada em Portugal pela subespcie 
mediterrnea.] A zibelina, M. zibelina, que pertence ao mesmo grupo de carnvoros arborcolas,  do mesmo modo famosa pelo valor da pele. O maior de todos os representantes 
da famlia, o gluto ou volverino, Gulo luscus, to corpulento como um texugo, tem o hbito de devorar os animais aprisionados nas armadilhas ou de pilhar as reservas 
de alimento.
Os skunks, ou seja, o mofeta, Mephitis, e o gamb, Conepatus, de pelagem variegada, constituem um exemplo clssico da colorao de aviso combinada com um sistema 
de defesa muito eficaz. Confiantes nas suas glndulas anais, capazes de pulverizar a vrios metros de distncia um lquido de odor sufocante e insuportvel [donde 
o nome do gamb, C. suffocans], e no receio que a sua colorao inspira, eles ostentam efectivamente uma temeridade extraordinria. 
So animais inofensivos, desde que os deixem em paz, tornando-se at muito teis como destruidores de ratos.
Os texugos, de pelagem grosseira e compridas unhas escavadoras, so animais omnvoros. O texugo vulgar, Meles meles ,  famoso pela fora e resistncia. Os hbitos 
nocturnos e a timidez concorrem para que ele passe despercebido em muitas regies.
[O ratel, Mellvora capensisi, semelhante ao texugo,  um grande comedor de mel e criaes de abelhas; notvel  a sua associao com o pssaro comedor de cera, Indicator 
indicator.]
As lontras se assemelham exteriormente entre si, pela pelagem castanha e lisa, a cabea achatada, os membros curtos e a cauda forte. A lontra vulgar, lutra lutra, 
que pode atingir mais de um metro de comprimento, alimenta-se de peixes, de pequenos mamferos e de aves. A lontrea-marina, Enhydra lutris, possui as patas posteriores 
fortemente palmadas, tem fortes molares, do tipo triturador, capazes de quebrar as conchas dos moluscos e os ourios-do-mar, que constituem o seu alimento. Tm o 
hbito notvel de colocarem sobre o dorso pedras chatas, recolhidas no fundo do mar, para sobre elas esmagarem os ourios-do-mar. 
Os Viverrdeos compreendem os gatos-almiscarados, as genetas e os manguos, pequenos carnvoros de focinho afilado e longa cauda, armados de unhas no retrcteis 
e, muitas vezes, com glndulas odorferas bem desenvolvidas. Numerosas espcies so raiadas ou malhadas; numerosas espcies so predadoras activas de pequenos vertebrados.
Os grandes gatos-almiscarados da africa e da india, respectivamente, Civettictis civetta e Viverra zibetha, de pelagem grosseira, raiada de cinzento e de branco. 
Outras espcies so o biturong , Arctitis biturong, animal de 1,20 metros de comprimento, de longa pelagem negra e cauda preensora, e o musang Paradoxurus hermaphroditus 
[que alis no  hermafrodita]. A famlia africana das genetas, Geneta, inclui numerosas espcies igualmente malhadas. (Conhece-se trs subespcies em Portugal: 
hispnica, lusitnica e a tpica genetta.] Os manguos so pequenos carnvoros de cauda comprida e pelagem cinzenta, finamente pintalgada e por vezes raiada; so 
famosos pela facilidade com que conseguem matar serpentes venenosas. O manguo, Herpestes ichneumon, denominado por vezes rato-dos-faras. [A subespcie widdringtoni, 
denominada 1/2saca-rabo, existe em Portugal.]
Uma das espcies, Eupleres goudoti,  principalmente caracterizada pelo reduzido desenvolvimento dos dentes, carcter manifesto de regime insectvoro. Uma outra 
espcie  o grande fossa, Cryptoprocta ferox, animal de cor fulva e aspecto de felino, cujas unhas so particularmente retrcteis.
Os Hiendeos, que compreendem as hienas e os protelos, formam uma pequena famlia, caracterizada pela cabea macia, grandes orelhas, dorso inclinado, curtos membros 
posteriores e quatro dedos em cada pata.
A hiena-raiada, Hyaena hyaena,  cinzento-acastanhada, raiada de negro, tem de comprimento cerca de 1,50 metros. Regala-se com os cadveres em decomposio dos grandes 
mamferos, de que ri os ossos com a maior facilidade. A hiena mata por vezes ovelhas e cabras, sendo tambm acusada de atacar o Homem, principalmente crianas. 
A hiena-castanha, Hyaena brunnea, muito rara, enquanto a grande hiena-malhada, Crocuta crocuta, se alimenta, em parte, dos restos desprezados pelos lees.
O protelo ou lobo-da-terra, Proteles cristatus, no  mais corpulento do que uma raposa, mas, pela forma e colorao, assemelha-se a uma pequena hiena raiada. As 
maxilas e os dentes so fracos, contrariamente s dos outros representantes da famlia. Alimentam-se exclusivamente de trmitas e de outros alimentos moles.
Os carnvoros terrestres mais especializados forma a famlia dos Feldeos. Os dedos, em nmero de cinco nas patas anteriores e de quatro nas posteriores, possuem 
unhas aceradas e recurvadas, que, quando no utilizadas, podem ser recolhidas em bainhas protectoras. Tem caninos fortes e um nmero de molares reduzido; somente 
o dente carniceiro  bem desenvolvido. A pupila, contrctil e geralmente em forma de fenda,  tambm caracterstica da famlia. Para caar, os Feldeos lanam-se 
repentinamente sobre as presas; so dotados de uma pacincia infinita e possuem verdadeiramente gnio na arte de dissimulao.
O gato-selvagem, Felis sylvestris,  um animal robustamente constitudo e bastante maior do que um gato domstico, alimenta-se de todas as espcies de pequenos mamferos 
e de aves. Cr-se que o gato domstico tem por ancestrais esta espcie e o gato-da-cafraria, Felis lybica. Conhecem-se numerosos outros gatos selvagens, raiados 
ou malhados. O maior de todos os Feldeos  o tigre, Panthera tigris, que pode atingir trs metros de comprimento. Como os outros carnvoros, os tigres opem-se 
fortemente  multiplicao de veados e de javalis, que depressa se tornam uma praga nas regies em que este grande felino  exterminado.
O leo, Panthera leo, era outrora um animal muito comum da india, Mas actualmente encontra-se numa reserva, em Kathiawar. , porm, muito numeroso em vrias regies 
da africa e, sobretudo, nas reservas. O leo  mais gregrio do que o tigre e, por vezes, encontra-se em grupos de 10 a 20 indivduos. As zebras e os antlopes constituem 
as presas preferidas, de tal modo que s atacam animais domsticos quando aqueles se tornam raros.
A pantera ou leopardo, Panthera pardus, [na africa Portuguesa  conhecida por 1/2ona], tem maiores probabilidades de sobrevivncia, porque  mais pequena, tem hbitos 
arborcolas e d provas de grande astcia natural.  o maior inimigo dos javalis e babunos ou macacos-caes. Todos os leopardos se assemelham muito entre si, mas, 
em certas regies, observa-se muito frequentemente uma variedade melnica - a chamada pantera negra. O leopardo-das-neves ou ona, Uncia uncia, no  uma pantera 
propriamente dita: difere pelo crnio e dentes, assim como pela pelagem ligeiramente mais comprida e clara.
O jaguar, Panthera ona [tambm nomeada 1/2ona-pintada, no Brasil], que tambm pelas suas manchas se assemelha bastante com uma pantera, e o puma ou conguar, Puma 
concolor [mais conhecido no Brasil por 1/2suuarana], so grandes felinos do Novo Mundo.
Um grupo de Feldeos distinto - tanto pela presena de cauda curta como pela pelagem, geralmente pintalgada, pelas orelhas, guarnecidas de pincis de plos, e pela 
existncia de barba -  constitudo pelos linces, que so representados por certo nmero de espcies, em grande parte do Mundo.
No lince da Europa, ou lobo cerval, Lynx lynx, todos estes caracteres se encontram bem desenvolvidos, , sem contestao, pelo seu peso (mais de 30 quilos) e corpulncia, 
o maior feldeo da Europa. [Em Portugal, tambm  conhecido por gato-cravo.]
O lince do Canad, Lynx canadensis,  um pouco mais pequeno. Tem interesse pelo valor da pele. O lince-vermelho ou bobcoat, Lynx rufus,  uma espcie mais pequena 
e de estrutura mais delicada. Assim como a espcie de linces, o caracal, Lynx caracal. As espcies setentrionais, so verdadeiros animais de floresta, o caracal 
vive nas regies mais ou menos desrticas.
O leopardo-caador ou chita, Acinonyx jubatus, possui membros muito desenvolvidos e unhas no retrcteis. , entre todos os mamferos, o mais rpido nos 500 metros: 
nesta distncia atinge a velocidade de 110 quilmetros por hora! [Tambm existe na Angola. Na Rodsia, h uma espcie diferente, Acinonyx rex.]


Pinpedes


Fazem parte desta ordem as focas, as otrias e as morsas, adaptadas  vida aqutica: os membros transformaram-se numa espcie de barbatanas, nas quais os dedos se 
encontram reunidos por membrana comum. Possuem cauda reduzida, pescoo bem distinto e pelagem curta. Pela dentio diferem sensivelmente dos carnvoros terrestres; 
o nmero de incisivos , em geral, reduzido e todos os molares tm aproximadamente a mesma forma, isto , so, em regra, pontiagudos e ligeiramente recurvados para 
trs. Fora da gua, os Pinpedes deslocam-se de modo desajeitado. A nica funo que desempenham em terra , alis, a de se reproduzirem, passando o resto da vida 
na gua.
A maioria das espcies alimenta-se de peixes. As focas propriamente ditas (Focdeos) so incapazes de utilizar as nadadeiras posteriores sobre a terra firme e possuem 
orelhas quase invisveis. A foca vulgar ou vaca-marinha, Phoca vitulina, estreitamente aparentadas, povoam abundantemente as regies rcticas. As focas do Antrctico 
pertencem todas a esta mesma famlia; com espcies mais notveis, podero mencionar-se: o leopardo-do-mar, Hydrorga leptonyx, e a foca-caranguejeira, Lobodon carcxinophaga. 
O gigantesco elefante-do-mar, Mirounga leonina, pode atingir 7,50 metros de comprimento. [Uma outra espcie, M. angustirostris,  encontradia nas costas da Califrnia.]
As otrias ou lees-marinhos (Ortardeos) podem utilizar, em terra, as patas posteriores e Tm orelhas bem visveis, se compem de centenas de milhares de indivduos, 
como  o caso do Callorhinus ursinus. Os machos, chegados na Primavera, conquistam cada um, aps forte luta, o seu territrio, assim como todo um harm de fmeas. 
Terminada a poca dos amores, regressam ao mar. Estas otrias, cuja pelagem possui pilosidade macia e abundante, so por vezes chamadas 1/2urso-do-mar.
Nas morsas (Odobendeos), os molares so em nmero reduzido e de estrutura muito simples; mas, em compensao, os caninos superiores encontram-se transformados em 
defesas, nos machos, podem atingir 70 centmetros de comprimento. A nica espcie da famlia, Odobaenus rosmarus, vive em grupos e pode atingir 3,50 metros de comprimento. 
A morsa, que  um animal inofensivo, alimenta-se de moluscos que arranca ao fundo do mar. Os velhos machos sabem defender-se com coragem e ferocidade.


UNGULADOS


[A designao de Ungulados - e constituindo uma superordem -, agrupam-se diversas ordens, mais ou menos afins, mas de ordem distinta. Os Ungulados seriam apenas 
os mamferos dotados de cascos, isto , de ordens espessas, cobrindo, pela frente, a falange terminal de cada dedo, e os seus possuidores, como os bois (Artiodctilos) 
e os cavalos (Perissodctilos), consequentemente ongulgrados, apoiam-se nos cascos de dois ou um s dedos de cada extremidade. Mas noutros mamferos - com afinidades 
manifestas com aqueles -, cujas extremidades no esto reduzidas a poucos dedos, como no caso do oricteropo (Tubulidentados) ou do damo (Hiracides), podem existir, 
lado a lado, dedos com garras e dedos com unhas chatas; por seu turno, nos Proboscdeos e nos Sirenianos, dotados de extremidade pentadctilas, com o Homem, as unhas 
no tm tambm a feio de cascos. Estas ordens podem, todavia, repartir-se por dois grupos - Mesaxonianos e Paraxonianos -, conforme o eixo dos membros, respectivamente, 
pelo terceiro dedo (o nico persistente nos Equdeos) ou pelo intervalo entre o terceiro e o quarto, em geral igualmente desenvolvidos. Os primeiros compreendem, 
alm dos Perissodctilos (Hipomorfos, Hiracides e Sirenianos; os segundos apenas os Artiodctilos (Suiformes e Selenodontes ou Ruminantes.]


Tubulidentados


A famlia dos Oricteropdeos, constituem uma ordem especial, a dos Tubulidentados, um tipo de mamfero primitivo, no aparentado com os membros das outras ordens.
O porco-formigueiro ou aardvark (porco-da-terra), Orycteropus afer [conhecida na Guin por 1/2timba]  o nico representante desta ordem. Mede cerca de 1,80 metros 
de comprimento. A cabea, comprida e estreita, de aspecto estranho,  munida de focinho como o do porco e de boca muito estreita. As orelhas so compridas, finas 
e erectas; a pele, acinzentada,  to pouco peluda, comprida e robusta, lembra a do canguru. As patas so providas de slidos cascos escavadores: quatro nas anteriores 
e cinco nas posteriores. A lngua  comprida e afilada, e os raros dentes, cnicos, possuem uma estrutura muito caracterstica. Sua vida  subterrnea e nocturna, 
 raramente observado. Escavador, este animal  capaz de cavar uma galeria mais rapidamente do que uma equipa completa de trabalhadores, e com um dimetro suficientemente 
amplo para que um homem de pequena estatura possa a passar.


Proboscdeos
 

Os elefantes (Elefantdeos), so os nicos sobreviventes da ordem dos Proboscdeos, cuja grande variedade de representantes fsseis se tem encontrado em quase todas 
as regies do Globo. Uma dessas espcies extintas tinha, pelo menos, uma vez e meia as dimenses do maior elefante actual.
Os principais caracteres dos elefantes, alm das enormes dimenses da tromba, rgo tpico do grupo, relacionam-se com a dentio. As defesas, cujo marfim tem grande 
valor econmico, no so mais do que o nico par de incisivos da maxila superior e atingem comprimento e volume considerveis. No existem caninos, e os enormes 
molares, de coroa plana, mas providos de numerosas pregas transversais de esmalte, sucedem-se de trs para a frente, de tal forma que, em cada hemimaxila, no h 
nunca mais do que um molar funcional. Estes dentes so de crescimento contnuo, mas,  medida que se gastam, vo sendo empurrados para diante e consequentemente 
substitudos pelo molar seguinte. [Este processo de substituio horizontal permite a presena parcial de dois molares em servio.] No decurso da existncia de um 
elefante sucedem-se seis molares em cada hemimaxila.
Os elefantes alimentam-se exclusivamente de vegetais. Para colherem as folhas, ramos novos e frutos derrubam rvores completas. Para se alimentarem, os elefantes, 
so, por vezes, obrigados a percorrer grandes distncias, adaptando-se igualmente bem  floresta virgem das encostas das montanhas, como aos vales pantanosos ou 
s savanas. As manadas so frequentemente compostas de elevado nmero de animais, que se mantm em permanente vigilncia. O sentido de vista  pouco apurado, mas 
em compensao possuem ouvido e olfacto notveis. Ferido e excitado, o elefante arremete de maneira irresistvel.
A gestao  de 21 a 22 meses aproximadamente. O nico filho que nasce de cada vez tem crescimento muito lento. Os elefantes no atingem a idade elevada que geralmente 
se lhes atribui. A idade mxima que pde ser registada foi de 70 anos.
O elefante da india, Elephas indicus,  o mais pequeno das duas espcies. A sua altura mdia  de cerca de 2,70 metros; certos velhos machos podem atingir, todavia, 
os trs metros. As fmeas possuem defesas rudimentares. As orelhas dos elefantes indianos no so exageradamente grandes e a extremidade da tromba possui um nico 
apndice digitiforme. Este elefante reproduz-se raramente em cativeiro.
O elefante da africa, Loxodonta africana, atinge a altura mxima de 3,50 metros e o peso de sete toneladas. Ambos os casos so providos de defesa [mas mais desenvolvidas 
nos machos], cujo par pesa frequentemente 45 quilos.
As orelhas dos elefantes africanos so extremamente grandes, atingindo a superfcie de dois metros quadrados, e a extremidade da tromba possui dois apndices digitiformes. 
A forma das pregas do esmalte dos molares difere dos elefantes indianos. So representados, no por estrias transversais onduladas, mas por losango.
Os elefantes so muitas vezes perseguidos e domesticados. Existe uma espcie de floresta [Loixodonta cyclotis], ligeiramente mais pequena, considerada como uma raa 
ou subespcie distinta. No existe, porm, verdadeiramente um elefante ano.
[Numerosos caracteres da morfologia externa e interna permitem, na realidade, reconhecer duas espcies distintas: a de savana, L. africana e a de floresta, L. cyclotis.]


Hiracides


Esta ordem  constituda por uma s famlia, a dos Procavideos, ou sejam, os animais denominados por dassies (pequenos texugos) [mais vulgarmente conhecidos por 
dames]. Assemelham-se, tanto em forma como pelo tamanho, mais a coelhos do que aos elefantes e aos rinocerontes, com os quais so, no entanto, aparentados. Tm 
cabea achatada, orelhas pequenas, cauda ausente e patas curtas. Os quatro dedos das patas anteriores e dois das posteriores possuem unhas chatas, semelhantes s 
dos Primatas, enquanto o terceiro dedo das posteriores apresenta uma unha recurvada. A pelagem, curta e macia,  geralmente de tom castanho-acinzentado, localizando-se 
no dorso uma zona glandular nua, rodeada de plos negros ou esbranquiados. A dentio  caracterstica, existindo tal como nos Redores, um largo diastema que separa 
o nico par de incisivos (de seco triangular e pontas aceradas) do maxilar superior e os quatro incisivos (chatos e largos) do maxilar inferior, dos sete molares 
do tipo triturador, cuja estrutura se assemelha nitidamente  dos dentes dos rinocerontes. Os dames so animais terrestres ou arborcolas que se alimentam de folhas 
ou de frutos. Os dames propriamente ditos (Procavia) vive nas fendas rochosas das montanhas. O damo da Sria (P. syriaca) foi mencionado no Velho Testamento. Estes 
animais gostam de preguiosamente se estender ao sol nas proximidades do seu covil, embora se mantenham permanentemente em guarda, com receio dos inimigos, em especial 
as guias e os leopardos.
Os dames arborcolas (Dendrohyrax) vivem nos troncos das rvores escavadas, denunciando a sua presena pelos gritos agudos que emitem, quando entram em aco ao 
cair da noite. Apesar de destitudos de membros prensis e de unhas aceradas, trepam de maneira notavelmente gil; a planta dos ps nua confere-lhes um apoio sobre 
as superfcies lisas, como no caso das osgas.


Sirenianos


Animais aquticos, que constituem a ordem dos Sirenianos, o corpo pisciforme, a pele nua, os membros exteriores em forma de paletas e a longa cauda achatada e horizontal. 
So aparentados com os Ungulados, havendo sofrido todavia uma forte adaptao, de modo a poderem alimentar-se de plantas aquticas. A cabea  arredondada; as narinas 
separadas, localizam-se por cima do pescoo. Possuem pescoo definido [ com seis ou sete vrtebras], mas no tm barbatana dorsal. Os membros anteriores so muito 
mveis e possuem mamrias localizam-se no peito [designadamente na regio axilar].
Quando existe dentio,  constituda por incisivos rudimentares e por certo nmero de molares. Num dos gneros, o palato e o maxilar apresentam placas crneas. 
O esqueleto, robusto, pesado, e os pulmes, volumosos, so adaptaes especficas  vida aqutica. Os Sirenianos recentes vivem nas guas costeiras quentes e nos 
rios dos trpicos, alimentando-se da vegetao do fundo. Estes animais deram origem  lenda das sereias.
O dugongo, Dugong dugon, ou vaca-marinha, pode atingir o comprimento de quase trs metros. O macho possui, no maxilar superior, um par de incisivos, lembrando as 
defesas dos elefantes. Este animal  quase exclusivamente marinho e alimenta-se de algas.
A Rhytina gigas, espcie actualmente extinta, atingia oito metros de comprimento. Possua cauda bilobada e no tinha dentes; a mastigao efectuava-se por meio de 
placas crneas. Foram exterminados pela aco dos caadores.
O manatim, Trichechus, representado por trs espcies, no possui incisivos visveis, mas, por outro lado,  caracterizado pelo lbio superior fendido, mvel e revestido 
de plos; cada uma das duas metades funciona como rgo preensor, para colheita das plantas marinhas.  tambm capaz de utilizar os membros anteriores como mos 
para levar os alimentos  boca. Os manatins atingem o comprimento de trs metros e, por vezes, 500 quilos de peso. [Trichechus senegalensisc  conhecido na Guin 
Portuguesa por 1/2peixe-buce (peixe-mulher.]


Perissodctilos


Os Perissodctilos ou Imparidigitados tm sido geralmente agrupados com os Artiodctilos ou Paradigitados, numa nica ordem, a dos Ungulados, compreendendo todos 
os Herbvoros terrestres providos de cascos. Cada um deste grupo so considerados uma ordem distinta. Os cavalos, os tapires e os rinocerontes possuem um ou trs 
dedos nas patas anteriores, e um, trs ou quatro nas posteriores; esses dedos so envolvidos por um casco ou munidos de unhas com essa forma [predominando o mdio, 
o que assegura perfeita mesaxonia]. O casco nunca  fendido, como no caso dos Artiodctilos. Os Perissodctilos possuem estmago simples, e os cornos, quando existem, 
localizam-se sobre o focinho. Consideram-se trs famlias distintas: dos cavalos (Equdeos), dos tapires (Tapirdeos) e dos rinocerontes (Rinocerontdeos) [que se 
agrupam em duas subordens: Hipomorfos (a primeira Ceratomorfos (as outras duas)].
Os Equdeos compreendem os cavalos, os burros e as zebras, animais de cabea comprida e membros alongados, providos de um nico dedo funcional, cuja falange terminal 
se encontra envolvida pelo casco.
A dentio  caracterstica: os incisivos, de coroa chata, nos dois maxilares, separados dos molares por longo diastema (caracterstica importante para o emprego 
do cavalo pelo Homem, que permite a utilizao do freio). Todos os representantes da famlia apresentam uma combinao notvel de apurados rgos dos sentidos, grande 
velocidade, resistncia e instinto gregrio muito marcado. 
O cavalo domstico, Equus caballus distingue-se das outras espcies pela crineira comprida e farta. Assim como a nica e autntica espcie selvagem, o cavalo selvagem 
da Monglia, Equus przewalski.
Os burros selvagens, com o kiang, o hemono propriamente dito, o onagro, so, em conjunto, considerados como espcies do gnero Hemionus, e apresentam uma lista 
dorsal escura. O burro selvagem da Nbia e o da Somlia possuem tambm lista sobre a espdua e zebruras nos membros. So considerados como duas raas da espcie 
Asinus asinus, a que pertence o burro domstico.
As zebras distinguem-se entre si principalmente pelo nmero e largura das zebruras. A grande zebra de Grvy, Equus grevyi, apresenta grande nmero de zebruras extremamente 
estreitas, enquanto em muitas espcies, com a zebra de Burchell, E. Burchell, e, mais nitidamente ainda, a zebra-da-montanha, E. zebra, as zebruras so muito mais 
largas e menos numerosas. O cuaga, actualmente extinto, E. quagga, ornamentado de zebruras negras somente na parte anterior do tronco.
Os tapires pertencem  nica famlia (Tapirdeos), tm aproximadamente o tamanho de um burro; so animais pesados, de curta cauda, com quatro dedos nas patas anteriores 
e trs nas posteriores. O focinho prolonga-se por uma curta tromba. So animais esquivos, que preferem a gua e no saem das galerias, impenetrveis. No caso do 
tapir malaio, T. indicus, a parte anterior do tronco e as patas so negras e o resto do corpo de cor branco-sujo, enquanto os tapires americanos, T. terrestris, 
[denominados 1/2antas, no Brasil] so completamente de cor castanho-acinzentado. Os filhotes de ambas as espcies apresentam listas longitudinais e ponteadas, nitidamente 
visveis.
Os rinocerontes so, depois dos elefantes, os maiores animais terrestres. Possuem trs dedos [com predominncia do mdio] em cada pata, munidos de cascos pequenos; 
sobre o nariz apresentam um ou dois cornos de estrutura fibrosa, no fixado ao crnio. Nenhuma das espcies possui caninos; os incisivos podem tambm faltar, ou 
existe apenas dois em cada hemimaxila; os enormes molares prestam-se, porm, admiravelmente  mastigao das folhas e ervas que constituem, exclusivamente, a alimentao 
dos rinocerontes. A maioria dos rinocerontes est ameaada de extermnio. O grande rinoceronte da india, Rhinocerus unicornis, a maior espcie asitica, atinge a 
altura de 1,70 metros, no garrote, e o comprimento de perto de 4 metros; a pele nua, com tubrculos, apresenta certo nmero de pregas que constituem, como que uma 
armadura. Possui apenas um corno, que no ultrapassa 60 centmetros de comprimento. Uma outra espcie unicrnea, o rinoceronte de Java, R. sondaicusc atinge a altura 
de 1,60 metros e apenas o macho possui um corno que no mede mais de 25 centmetros; a forma das pregas da pele  tambm diferente. A nica espcie asitica bicrnea 
 o rinoceronte da Samatra, Didernocerus sumatrensis, que se distingue tambm pela pelagem curta e menor estatura, no atingindo mais do que 1,30 metros de altura.
As duas espcies africanas no possuem pregas na pele, nem dentes incisivos, e tm dois cornos. O rinoceronte branco, Ceratorhinus simum, na realidade de cor cinzento-ardsio, 
 a maior espcie da famlia, com dois metros de altura no garrote. O corno anterior, o mais desenvolvido,  maior na fmea do que no macho, e o seu comprimento 
chega a atingir 1,50 metros. Nesta espcie, o lbio superior no tem prolongamento digitiforme, pois  truncado transversalmente; o animal alimenta-se exclusivamente 
de ervas, no tem necessidade, como as outras espcies, de utilizar o lbio para arrancar das rvores os ramos com folhas.
O rinoceronte preto, Diceros bicornis,  terrvel pelo seu carcter agressivo. [O ltimo rinoceronte branco de Moambique foi abatido, em 1916, na regio do Maputo. 
O rinoceronte preto existe, tanto no Sul de Angola, como no Norte de Moambique, vivendo em regime de proteco.]
 

CURIOSIDADES:


chinchila (Chinchill laniger -  um pequeno redor das regies montanhosas da Amrica do Sul. Cria-se em larga escala, na Amrica e na Europa.
ornitorrinco (Platypus anatinus -  um animal aqutico que escava galerias subterrneas onde instala os seus abrigos.
O Tachyglossus aculeatus -  um equidna que lembra um ourio-cacheiro.
koala (Phascolarctos cinereus) -  uma espcie confinada s florestas da Austrlia, assim como o demnio-da-tasmnia (Sarcophilus satanicus),  confinados quela 
ilha australiana.
lodo-da-tasmnia (Thylacinus cynocephlus) -  uma espcie de regime carnvoro.
O ornitorrinco (Monotreme) tem o 1/2bico de pato e os dedos com palmura,  prpria para a natao.
O marsupial pra-quedista (Petaurus norfolcensis),  dotado de patgio que lhes permite os 1/2voos, e  natural das regies orientais da Austrlia.
Os cangurus, difundidos na Austrlia e nas ilhas vizinhas, so os mais notveis representantes da ordem dos Marsupiais.
O opossum americano (Philander opossum),  a nica espcie da ordem dos Marsupiais comum s Amricas do Norte e do Sul.
O uro-marsupial ou koala da Austrlia, tem uma farta lanosa.
O Musaranho comum ou rato-toupeira (Sorex araneus), da ordem dos Insectvoros,  o animal mais pequeno do que um rato e de curta longevidade.
O ourio-cacheiro (Erinaceus europaeus), da ordem dos Insectvoros, embora coma alguns frutos cados, em geral bichosos,  muitssimo til pela caa que d aos insectos 
e lesmas, assim como s cobras, para cujos venenos tem imunidade.
O morcego, representante da ordem dos Quirpteros, pertence ao grupo dos megaquirpteros, que, por serem frugvoros, causam grandes devastaes nas culturas fruteiras 
das regies tropicais.
O morcego (Pipistrellus pipistrellus), representante da famlia dos microquirprteros, tem seus dentes aguados e o auxlio da garra do primeiro dedo da mo, com 
que ajuda a introduzir na boca o alimento. Em algumas herdades do Texas, tm sido construdas torres de abrigo (morcegrios) para os pipistrelos, com o fim de lhes 
aproveitar guano e evitar que invadam os stos das habitaes.
Uma Tamandu-bandeira, papa-formigas,  bem caracterstico pelo seu focinho comprido e curvo, assim como pela forma da cauda, a que o nome alude.
A preguia-ai (Bradypus tridactylus) - provida de trs dedos na mo, donde lhe vem o nome especifico - pertence  ordem dos Xenartras. Os seus movimentos muitssimo 
lentos justificam o nome por que  conhecida.
O pangolim ou papa-formigas-de-escamas indomalo,  um animal pertencente  ordem dos Folidotas, foram outrora integrados na ordem dos Desdentados.
Os coelhos bravos, so animais muito prolferos. Calcula-se que, em 4 anos apenas, um s casal de coelhos selvagens - se no houvesse tantas causas de mortalidade 
- dariam origem a 1300000 descendentes.
Os esquilos, da ordem Redores, rem seu alimento com os seus dentes incisivos que lhes so caractersticos
O esquilo voador, o polatouche (Glaucomys volans), pode fazer um voo planado de 50 metros.
O esquilo siberiano (Sciurus arcticus),  agressivo e belicoso, cuja pelagem de inverno  completamente branca.
O esquilo cinzento (Sciurus carolinensis),  um simptico habitante das florestas ocidentais de confera da Amrica do Sul.
O castor europeu (Castor fiber)  bastante semelhante ao castor americano (Castor canadensis), o qual se tornou famoso pela construo de diques 
com os troncos das rvores
O moscardino  um pequenino redor arborcola, de hbitos nocturnos, que no excede 7 centmetros. Alimenta-se principalmente de vegetais e insectos.
O marmota alpina, um habitante de altitudes rochosas entre 150 e 3000 metros. Na estao fria, recolhe-se na sua toca, hibernando, em sono profundo, durante seis 
meses.
A grande voracidade de hamster ou criceto valeu-lhe intensa perseguio, nos pases da Europa centro-oriental, em virtude dos prejuzos causados  agricultura.
O rato-branco, como o cobaio,  um animal utilssimo nos laboratrios, com o qual os investigadores fazem difceis e demoradas experincias, quer no mbito da biologia 
pura, quer no da medicina.
gerboas, ou ratos-do-deserto, redores da famlia dos Dipoddeos, repartem-se por numerosos gneros e espcies. Pelo seu aspecto, lembram pequeninos cangurus.
O cuendu ou cuim, tambm conhecido no Brasil por 1/2ourio-cacheiro, ao contrrio da sua aparncia, no  insectvoro, mas sim um redor, arborcola.
A criao de chinchilas  hoje um passatempo muito apreciado na Amrica e na Europa. Em Portugal, onde o pequeno redor se adaptou muito bem, h numerosas pessoas 
que se dedicam a essa criao, da qual podem advir boas fontes de receita para os possuidores de chinchilas, mediante a venda da sua pele sedosa.
O maior de todos os cetceos odontocetas, isto , providos de dentes, 
 o Cachalote (Physeter catodon).
Existem diversos cetceos (1/2baleias com barbas), citamos alguns exemplos: rorqual-  -comum (Balaenoptera physalus), de 25-30 metros; rorqual do Norte (B. barealis), 
at 18 metros; baleia-de-bossa (Megaptera nodosa), de 16 m; baleia-preta (Eubalaema glacialis), de 16 metros; baleia-branca (Balaena mysticetus), at 20 metros; 
roqual-azul (Balaenoptera musculus), at 30 metros; baleia cinzenta (Eschrichtius glaucus), de 15 metros; rorqual-pequeno (Balaenoptera acutorostrata), de 9 metros; 
e outros.
Nas cabeas dos lobos(Canis lupus), existem os olhos oblquos e as orelhas curtas e pontiagudas.
O Dingo (Canis dingo),  um co semelhante ao lobo, existente na Austrlia antes da chegada dos Europeus, provavelmente ali introduzida por imigrantes aborgenes.
Os ursos pardos da Amrica do Norte, so animais dotados de agilidade e capazes de executarem hbeis demonstraes de equilbrio.
O gluto (Gulo Iuscus)  o maior de todos os musteldeos; no escapam  sua voracidade carneiros, vitelos, poltros e mesmo renas.
A lontra (Lutra lutra),  um exmio nadadora,
 move-se melhor na gua do que em terra.
O texugo (Meles meles)  o omnvoro tpico, pois alm de vegetais, come insectos, vermes e pequenos mamferos, incluindo laparotos.
O gato pescador (Felis viverrina), que vive nas galerias florestas da asia (Ceilo, india e Sudeste Asitico). Esse animal dedica-se  pesca e caa.
A hiena malhada (Crocuta crocuta),  comum em toda a africa ao sul do Sara, vive dos restos deixados pelos grandes carnvoros.
O leo (Panthera leo)  considerado o rei dos animais, quer pela sua imponente figura, quer porque s o homem o consegue dominar.  encontradio nas selvas africanas.
O lince (Lynx lynx ),  o maior felino da Europa - deve ser protegido,  evitando-se a sua extino.
O leopardo-caador ou chita (Acinonyx jubatus),  o mais veloz de todos os mamferos terrestres, atinge 110 quilmetros por hora.
O tigre (Panther tigris) e outros felinos, tm o olfacto apuradissimo.
As morsas (Odobaenus), distinguindo-se os machos pelos seus enormes dentes.
Oporco-formigueiro (Orycteropus afer), chega a medir 2 metros de comprimento. Tem hbitos nocturnos, abriga-se durante o dia em covis e alimenta-se de trmitas.
Os dames ou Procavia, so vegetarianos e, em parte, insectvoros.
A zebra de Chapman (Equus burchelli antiquorum),  dos mais belos equdeos raiados, existentes no Sul da Angola e no Sudeste Africano.
Os pssaros tm o costume de passear tranquilamente sobre um rinoceronte,  procura de insectos e parasitas escondidos nas pregas da pele do animal.
O cavalo (Equus cabalhus),  um animal essencialmente domstico, o cavalo vive tambm no estado selvagem em alguns pontos do globo, como na Monglia 
e nas regies polares. 
Um filhote de tapir ou anta da Amrica do Sul (Tapirus terrestres),  riscado e pintalgado de branco, ornamentos que desaparecem aos seis meses, ficando apenas a 
cor escura de fundo, pardacenta.]

(FIM do stimo volume)
